NOTA DE RUBENS PAVAN
O presidente licenciado da Sercomtel, Rubens Pavan, distribuiu ontem a seguinte nota à imprensa:
Embora ainda não tenha tido a oportunidade de ler integralmente o laudo apresentado à Comissão Processante da Câmara de Vereadores pelo perito criminal Daniel Filippeto, tomei conhecimento pela imprensa de algumas de suas considerações e sobre elas é importante destacar:
1- O perito confirma que a avaliação patrimonial da Sercomtel, feita pelo Consórcio Capitaltec, foi correta, enfatizando: O levantamento mostrou que todos os cálculos e índices utilizados para apurar o valor da empresa pela consultoria contratada na época estão corretos. A conclusão não poderia ser outra, na medida em que, da parte da Sercomtel, tudo foi elaborado com extremo cuidado, desde a concorrência internacional que escolheu o Consórcio até o relatório final do Grupo de Assessoramento, formado por profissionais da própria Sercomtel, preparados para acompanhar uma tarefa dessa envergadura, que exigiu 120 dias de trabalho.
2- No tocante à venda propriamente dita há que se destacar que a Sercomtel não foi privatizada, como ocorreu com as outras companhias do Sistema Telebrás, cujo controle foi vendido pelo governo federal. Em Londrina, o município optou por formar uma parceria estratégica com a Copel, agregando importantes valores para a operadora que só uma distribuidora estadual de energia poderia gerar. Manteve-se o controle acionário da Sercomtel, pelos motivos apresentados na época pelo município, dos quais cabe relembrar: manutenção da empresa como patrimônio da cidade; preservação dos postos de trabalho para profissionais de Londrina e região; manutenção da circulação econômica dos receitas geradas pela empresa dentro do próprio município.
3- A possibilidade de que as ações poderiam valer mais caso fossem vendidas em Bolsa é uma hipótese que merece reflexão porque também poderia acontecer o contrário. Para isso é preciso considerar outros fatores importantes:
a) Para vender as ações em bolsa de valores o município teria que colocar em leilão o controle da empresa, como fez o governo federal com a Telebrás. O universo de compradores em bolsa de valores para ações minoritárias de uma companhia cuja concessão é limitada a Londrina e Tamarana não seria, certamente, muito grande. A outra opção, descartada pelo município, na época, era de colocar as ações à venda juntamente com a Telebrás, num processo de privatização que, posteriormente, foi muito questionado.
b) O próprio perito afirma que como a Sercomtel não tem ações negociadas em bolsa, não se pode calcular o ágio que a empresa poderia obter se a negociação fosse feita no mercado, admitindo que qualquer valor seria subjetivo.
c) Na verdade, apenas em algumas empresas Telebrás obteve-se ágio na venda do controle ou da licença e isso ocorreu devido ao grande mercado disponível nas respectivas áreas - casos de São Paulo, por exemplo, e da telefonia celular em regiões onde havia grande procura e escassez de serviço - situações que não podem ser comparadas à de Londrina onde há muitos anos o mercado vem sendo bem atendido pela Sercomtel, sem filas de espera por telefones fixos ou celulares. Esse é um fator preponderante, porque o que determina o ágio ou prêmio na venda de empresas é a oportunidade de crescimento do negócio, ou seja, o tamanho do mercado. Veja-se o caso da venda da Telemar, realizada por leilão, que tem concessão de um terço do mercado brasileiro, compreendendo o Rio de Janeiro, Minas Gerais e todo o Norte e Nordeste (16 Estados, 16 operadoras), em que o ágio obtido foi de apenas 1% (um por cento) sobre o valor mínimo da avaliação, enquanto no caso da Sercomtel, numa venda direta, foi de até 65%, conforme atestou o perito londrinense.
d) Apenas como um simples referencial, se compararmos os preços pagos por terminais telefônicos fixos instalados, vamos verificar que enquanto para os terminais da Sercomtel o preço obtido foi de R$ 2.587,00, para a Telecentrosul (8 Estados, 8 operadoras, inclusive Telepar) o preço pago foi de R$ 1.297,29; para a Telesp (São Paulo, inclusive capital, definido pelo presidente da Telefônica Espanhola como a Jóia da Coroa) o preço por terminal foi de R$ 1.444.44
e) Reitere-se sempre que, no caso da Sercomtel, o município continua a ser o controlador do capital da empresa e poderá ainda privatizá-la se e quando quiser. No caso do sistema Telebrás o controle foi totalmente vendido.
f) Por tudo isso, conhecendo as condições peculiares da Sercomtel e as condições para uma venda em leilão de uma participação minoritária na empresa, não tenho nenhuma dúvida em afirmar que o preço obtido pelo município de Londrina, na venda direta, foi muito bom. Em leilão, a hipótese de se obter um ágio maior só se configuraria para uma privatização total da empresa.





