'Nossa luta vai ser restabelecer imagem da Câmara', diz Nantes
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018
Vitor Struck Reportagem Local 


Depois de quase três horas de articulação política nos corredores da Câmara Municipal de Londrina, o vereador Ailton Nantes (PP) foi eleito presidente da Casa nesta quinta-feira (20). Ele ocupava o cargo interinamente desde o começo de 2018, após o afastamento de Mario Takahashi (PV), por conta de fatos apontados pela Operação ZR3.
Ao lado dele, integram a Mesa Executiva para o biênio 2019-2020 os vereadores Eduardo Tominaga (DEM) na vice-presidência, Felipe Prochet (PSD) como primeiro secretário, Daniele Ziober (PP) como segunda secretária e Amauri Cardoso (PSDB) como terceiro secretário.
A eleição dos novos membros da Mesa Executiva da Câmara Municipal de Londrina nesta quinta-feira (20) marca a metade de uma legislatura caracterizada até então por grandes problemas de natureza interna. De acordo com Nantes, a prioridade será recuperar a imagem da Câmara, em referência aos processos de cassação de mandatos de Boca Aberta (PROS), Rony Alves (PTB) e Mario Takahashi (PV), e ao "histórico" de presidentes cassados ou envolvidos em investigações. "Este é o principal projeto desta mesa, reverter esta imagem que a Câmara infelizmente tem, não só do presidente, mas de toda a Mesa e de todos os vereadores", afirma.
Os 19 vereadores votaram favoravelmente a eleição da chapa encabeçada pelo atual presidente. Os novos membros assumem em 1º de fevereiro de 2019.
QUEDA DE BRAÇO
Ainda durante o pequeno expediente foi possível notar a grande movimentação de alguns vereadores. A maioria não permaneceu sentada e nem largou o celular, de modo que foram necessários mais de 30 minutos para que a sessão pudesse ser suspensa pela primeira vez para o início da composição das chapas. Era o momento para "aparar as arestas".
Após uma hora de suspensão o vereador Eduardo Tominaga solicitou mais 30 minutos para finalizar a formação de uma chapa. O vereador Jamil Janene (PP) encaminhou voto contrário e os vereadores Guilherme Belinati (PP), Daniele Ziober (PP), Estevão da Zona Sul (sem partido) e Jairo Tamura (PR) o acompanharam, o que não foi suficiente para impedir nova suspensão. Em seguida a sessão chegou a ser suspensa por mais duas vezes.
Os vereadores concordaram que até a noite de quarta-feira (19), o cenário indicava a formação de duas chapas, mas durante a sessão houve um consenso que pode ter sido influenciado pela insatisfação da vereadora Daniele Ziober (PP) com o pouco espaço no grupo articulado por Jamil Janene (PP).
"A gente queria apaziguar e formar uma chapa grande, uma chapa única, para não ficar nem de uma lado, nem do outro [em relação ao Executivo]. A gente tem que ser neutro neste ponto e a Mesa Executiva bem equilibrada. Eles cogitaram meu nome e eu, simplesmente, aceitei. Em nenhum momento, eu falei que queria ou não. Eu nunca me opus a ser da [Mesa] Executiva ou ficar fora. Como veio meu nome, eu aceitei por ser a única mulher da Casa", justificou a vereadora.
Antes do consenso a chapa mais "distante" da atual Mesa Executiva seria encabeçada por Eduardo Tominaga e por Felipe Prochet (PSD).
"Nós conversamos muitos com os vereadores Amauri Cardoso e Felipe Prochet que faziam parte da minha chapa, e nós temos essa consciência de que não estamos aqui para frear ou para impedir o Executivo de mandar projetos, a única coisa que temos que explicar para a população é que a Câmara tem uma independência que tem que ser respeitada", afirma Tominaga.
Outra discussão foi sobre a inserção do atual líder do Executivo, Jairo Tamura (PR), na chapa. Entretanto, como teria que abdicar da liderança, Tamura confirmou à reportagem que preferiu continuar como líder abrindo espaço para Amauri Cardoso ficar como terceiro secretário.


