Curitiba - Em Curitiba para a reunião de formulação de seu plano de governo, o pré-candidato do PSOL à presidência da República, senador Randolfe Rodrigues (AP), disse que sua candidatura é a única capaz de fazer com que figurões da política nacional deixem de governar o País. Para ele, esses e outros tradicionais políticos estarão no próximo governo independente se o eleito for Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB).
"Nossa candidatura é a alternativa à esquerda, a essa falsa polarização entre o conservadorismo do PSDB e o pragmatismo do PT. Queremos oferecer ao Brasil a possibilidade de ver algumas figuras na oposição pela primeira vez após 25 anos. Sarney, Maluf, Renan, Severino Cavalcanti, essa turma que há 25 anos governa o Brasil, só não governará com o PSOL no governo", declarou. "Se o Brasil quer que esse povo continue governando, ele tem três candidaturas para votar. Se não quer, ele tem o PSOL como alternativa", acrescentou.
O senador fez uma avaliação do papel do partido, que tem apenas ele no Senado e três deputados federais, citando que importantes casos de corrupção só foram investigados graças à ação da bancada do PSOL, como o do ex-senador Demóstenes Torres. "Além disso, sem o PSOL, não teríamos ninguém para resistir à reforma da previdência, para combater a homofobia, para, mais recentemente, pressionar pelo veto à anistia às multas aos planos de saúde", completou.
Definindo o PSOL como um abrigo para os descontentes "com a conversão à direita" feita pelo PT, para Rodrigues não há risco de, em um eventual governo de seu partido, o PSOL também abrir mão de algumas posições para agregar apoiadores em busca da governabilidade. "Se isso acontecer, a gente sai e faz outro partido", brincou, para depois explicar. "É lógico que tem que ter governabilidade. Governamos uma capital, temos que dialogar com o parlamento, sabemos disso, mas o que ocorre com os governos é que a governabilidade se torna dona deles e as bases de governo tornam-se donas do governo."
Lembrando os recentes escândalos envolvendo corrupção em estatais e órgão públicos e doações a campanhas eleitorais, o pré-candidato reforçou que o partido continuará com sua política de restrições à doações de empresas. "Vamos priorizar as doações de pessoas físicas. Vetaremos doações de latifundiários, banqueiros e empreiteiras. Outras doações que não estejam neste grupo, analisaremos com critério", concluiu.

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