O procurador jurídico da Câmara de Londrina, Miguel Garcia, afirmou ontem que o Legislativo local já tem uma estrutura ''enxuta'' e que por isso não concorda com a possibilidade de cortar cargos comissionados na Casa. A hipótese foi ventilada pelo Ministério Público (MP) estadual, que já cobrou a redução nos comissionados da Câmara de Maringá, alegando necessidade de equilíbrio entre cargos efetivos e de indicação. Hoje, segundo Garcia, a Câmara de Londrina conta com 53 funcionários de carreira e cerca de 70 servidores comissionados. O número é menor do que o anteriormente divulgado à FOLHA pelo próprio presidente da Casa, Gerson Araújo, que apontou 54 efetivos para 101 comissionados.
''Na área administrativa nós temos 18 cargos comissionados e temos de três a cinco (no máximo) comissionados em cada gabinete de vereador. Logicamente nos gabinetes só podemos ter funcionários enquadrados como comissionados. E esse número é bem reduzido porque, inclusive, nós não temos espaço físico. É difícil uma Câmara do porte da cidade de Londrina trabalhar com 70 funcionários. São 70 cargos para atender todo esse volume de trabalho. Temos comissão especial, plano diretor, todas as leis que tem que passar por aqui'', defendeu o advogado.
Garcia acrescentou que os comissionados exercem funções de ''estrita confiança'' dos agentes públicos. ''Na verdade esses cargos são de assessoramento de chefias. Depende muito do presidente da Casa porque são cargos de confiança, que é o caso da procuradoria jurídica, da controladoria, diretoria geral, por exemplo. São cargos efetivamente de uma certa ligação com o agente político que exerce a presidência da Casa'', afirma.
O procurador afirmou que o prazo para encaminhar as justificativas da Câmara ao MP termina na quinta-feira e que espera ''bom senso''. ''Eu não posso afirmar que não ocorrerão cortes na Câmara. Nós estamos passando as informações, explicando quais são as condições da Casa e espero que o MP tenha o bom senso de analisar caso a caso. O caso de Maringá é bem diferente do de Londrina'', declarou. Na última sexta-feira, 20 servidores comissionados da Câmara de Maringá foram demitidos. A medida atende parcialmente uma recomendação do MP, que pediu a dispensa de 44 funcionários.

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