Nos EUA, arrecadação dá status
Curitiba - Além da tentativa de ocultar verbas ilegais, o caixa 2 pode ter outros motivos. Um deles é a relutância dos dirigentes partidários em assumir campanhas que podem ser vistas pela população como ''milionárias''. Os partidos costumam temer que o aporte de verbas aos comitês possa ser visto pelos eleitores como indícios da venda do partido a interesses econômicos, e acabam escondendo as doações.
Nesse sentido, a visão dos políticos brasileiros em relação as doações difere muito da de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a arrecadação junto à grandes corporações não só é exibida como é motivo de ostentação por parte dos candidatos. Os candidatos costumam ser escolhidos nas prévias justamente por seu poder de captar recursos para a campanha, e a imprensa costuma manter um placar de quanto cada candidato já conseguiu arrecadar na disputa pela Casa Branca.
O presidente do PT estadual, André Vargas, acredita que a ''vergonha'' dos candidatos em mostrar seus doadores é irracional. ''É um reflexo de uma moral judaico-cristã, como se receber dinheiro para campanha fosse um pecado. Em uma sociedade organizada, não há nada mais natural do que setores econômicos terem preferência por este ou aquele candidato. É totalmente compreensível que a indústria petroquímica, por exemplo, dê apoio a candidatos que têm afinidade com suas propostas'', defende Vargas.
Para Vargas, a imoralidade estaria justamente em esconder essas relações. ''É muito mais legítimo que um parlamentar deixe às claras que interesses ele defende do que tentar favorecer seus doadores por baixo dos panos, e às vezes inclusive de maneira ilegal'', analisa.
Já o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) acredita que o problema não está nas quantias arrecadadas, mas sim ao uso que se dá a elas. ''O problema dessas campanhas milionárias é que, ultimamente, o dinheiro está sendo muito mal gasto. Não se dá mais prioridade ao conteúdo, e sim à forma. É só vermos a quantidade de showmícios com astros famosos e o dinheiro que é gasto na elaboração dos cenários e vídeos da propaganda eleitoral'', analisa Veneri. (R.S.)





