Nos Cinco Conjuntos, clima foi de indiferença e silêncio
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domingo, 29 de outubro de 2000
Edna Mendes De Londrina 
Ao contrário dos anos anteriores, o clima ontem na região dos Cinco Conjuntos, zona norte de Londrina, maior colégio eleitoral da cidade, era de indiferença com relação ao segundo turno. Na feira livre da Avenida Saul Elkind, os eleitores estavam despreocupados com a obrigação de votar e a maioria se dizia indeciso sobre qual candidato escolher.
A região dos Cinco Conjuntos, com cerca de 55 mil eleitores, sempre foi conhecida como um reduto eleitoral de grande movimentação política. Durante muito anos, o prefeito cassado e afastado Antonio Belinati (PFL) tinha desses moradores a votação mais expressiva de suas campanhas. Ontem, esses mesmos moradores não falavam sobre política, eleição, segundo turno ou votação. Também não traziam propaganda política nas camisetas, adesivos ou bonés.
Aqui está todo mundo indeciso e indiferente. O povo se calou depois do primeiro turno. Eu mesma vou votar à tarde e ainda não sei em quem vou votar. Estamos desmotivados e descrentes dos políticos, disse pela manhã a feirante Dalva Costa Carraro, 36 anos.
Durante toda a manhã, o movimento na feira foi normal. Não havia rodas de bate-papo sobre política. Os bares e lanchonetes próximos da feira estavam vazios. Talvez a lei seca tenha contribuído para dispersar os mais entusiasmados por política. Entretanto, o clima de descaso com as eleições era geral.
O que aconteceu com o Belinati deixou o pessoal bastante descrente e desinteressado por política. Antes, nós tínhamos paixão para discutir as propostas, os problemas da cidade, enfim, paixão por política. Hoje, infelizmente, não queremos mais nos envolver. Estamos calados e vamos votar por obrigação, disse o motorista Carlos Luiz Regioli, 63 anos.
Na Avenida Saul Elkind, principal via pública da região, não se via panfletagem. Nem panfletos e nem vontade de votar. O meu candidato perdeu no primeiro turno e agora não sei em quem votar. Só vou me decidir quando estiver em frente à urna eletrônica. Meus amigos dizem a mesma coisa, contou o vendedor Mateus Gallo.
Já a dona de casa Maria do Socorro Sampaio, 45 anos, disse que o clima das eleições estava morno porque os eleitores não querem mais saber de campanha suja. Eleição não é circo ou espetáculo. É um dever cívico que temos que desempenhar com responsabilidade e não queremos mais ser influenciados por ninguém. Tomara que as eleições sejam sempre nesse clima, elogiou.
No centro da cidade, o clima também foi de paradeira. A Rua Sergipe, uma das principais do centro, ficou deserta. Nem parecia dia de eleição.


