A bancada municipal do PMDB paulista também minguou. A sigla já teve 12 dos 55 vereadores, elegeu a metade em 2000 e hoje está com quatro membros, menos de 10% das vagas da Casa. Com bancadas nanicas e sem puxadores de voto, o PMDB paulista parece chegar ao fim do caminho iniciado no final da década de 70, quando a reforma partidária lhe deixou a herança do velho MDB.
No auge, o PMDB fez 22 dos 23 governadores em 1986 e produziu o político mais poderoso da Nova República: o deputado Ulysses Guimarães, que chegou a acumular as presidências da legenda, da Câmara e da Assembléia Nacional Constituinte. Em São Paulo, elegeu três governadores de forma consecutiva: Franco Montoro em 1982, Quércia em 1986 e Luiz Antônio Fleury Filho em 1990.
Tamanho poder provocou algumas fraturas no partido. E a maioria foi justamente em São Paulo, em 1987, quando um grupo descontente com o personalismo de Quércia abandonou a legenda para fundar o PSDB. Entre os dissidentes estavam alguns pesos pesados da política nacional, como Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Franco Montoro e José Serra. Para eles, o quercismo representava uma prática fisiológica que estava ficando maior do que o partido em São Paulo.
Quinze anos depois, a cientista política da Universidade de São Paulo (USP) Maria D'Alva Kinzo, autora de alguns trabalhos e livros sobre o PMDB, acha que o problema da legenda continua basicamente o mesmo. ''Como o Quércia permaneceu no controle do partido, sem dividi-lo com ninguém, os melhores quadros acabaram saindo e não houve o surgimento de novas lideranças'', avalia.
Na sua opinião, o partido foi ''dizimado'' no Estado e corre um sério risco de desaparecer nos próximos anos. ''Quércia sofreu um grande desgaste na sua imagem, enquanto Covas e depois o (Geraldo) Alckmin ocupavam um espaço cada vez maior no interior'', explica Maria D'Alva Kinzo. ''Como partido nacional, o PMDB deve ter uma sobrevida com os governos do sul e de Pernambuco, onde também fez bancadas razoáveis, mas em São Paulo as chances de sobrevivência são mínimas.'' Para ela, uma parcela pode ir para o PSDB. ''O resto do partido tende a desaparecer.''

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