Carmem Murara
De Curitiba
O advogado Luis Alberto Machado garantiu ontem que seu cliente, o ex-delegado geral da Polícia Civil do Paraná João Ricardo Képes de Noronha (foto) deverá se apresentar na próxima semana à polícia. Noronha teve a prisão provisória decretada após ter sido apontado como um dos comandantes do narcotráfico no Paraná. O advogado mantém a afirmação de que não sabe onde Noronha se escondeu, mas negou que ele esteja numa fazenda no Paraguai, pertencente ao ex-general Lino Oviedo, também foragido da justiça.
‘‘Na hora em que a poeira baixar, o Noronha poderá vir a público para fazer a colocação da verdade dos fatos. Isso deve ocorrer em meados da próxima semana’’, estimou. Machado disse que, por enquanto, não adiantaria se defender, pois a versão do delegado não seria ouvida. O advogado orientou o delegado a viajar com a família, quando começaram a estourar as denúncias de envolvimento com tráfico de cocaína, durante a passagem a CPI do Narcotráfico por Curitiba.
Os principais acusadores de Noronha foram Shirlei Pontes, presa sob acusação de tráfico no Norte do Estado, no final do ano passado; e Gilberto Chagas Ramos (Marron), ex-policial civil condenado a mais de 20 anos de prisão por tráfico de drogas. Outras testemunhas citaram o envolvimento de policiais civis e delegados no crime organizado. Além de Noronha, está com prisão provisória decretada o delegado Mário Ramos.
O advogado de Noronha relembrou os depoimentos e disse que eles não podem ter credibilidade. ‘‘A Shirlei, por exemplo, foi presa pelo Noronha e todos sabem que há uma disputa entre ele e o Adauto (delegado do grupo Fera, Adauto de Oliveira). Segundo o advogado, ao se somar ‘‘depoimentos mentirosos’’ e a ‘‘briga interna da Polícia Civil’’ o resultado torna-se desfavorável ao delegado Noronha. Machado definiu ontem a CPI como um episódio ‘‘circense’’.

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