Rubens Burigo Neto
De Curitiba
O ex-delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Képes Noronha se apresentou em segredo, na semana passada em Curitiba, ao Grupo Auxiliar de recursos humanos (GARH) da instituição e pode escapar do processo por abandono de emprego. A informação é da Polícia Civil. Noronha apresentou o despacho do Tribunal de Alçada que revogou a prisão temporária dele (no dia 10) como justificativa para a falta ao trabalho por 38 dias. O ex-delegado-geral também requisitou licença médica.
A justificativa ainda não foi analisada pelo Conselho da Polícia Civil e o pedido de licença tem que ser avaliado pelo GARH. Na próxima semana, a cúpula de polícia deve, enfim, ter uma definição sobre a situação funcional do ex-delegado-geral. Ontem a reportagem da Folha tentou ouvir Noronha e o advogado dele, Luis Alberto Machado, mas os dois não retornaram os telefonemas até o fechamento desta edição.
Apesar da tentativa de livrar-se do processo por abandono de emprego, Noronha está respondendo no âmbito da Secretaria da Administração a outros dois processos administrativos: por quebra de hierarquia, ao não comparecer para depor na CPI do Narcotráfico e por não aparecer para prestar depoimento à comissão criada pelo governo para averiguar envolvimento de policiais no crime organizado. Desde o mês passado, por estar afastado do cargo, o delegado está recebendo 50% de seu salário de R$ 10.906,00. Ele também não é obrigado a registrar ponto diariamente.
No começo de março, Noronha foi acusado durante os depoimentos à CPI do Narcotráfico de ser o responsável pelo acobertamento de policiais com participação no tráfico de drogas, roubo e desmanche de carros em Curitiba. A prisão temporária dele foi decretada no dia 2 de março e o ex-delegado-geral ficou foragido até o dia 10 deste mês, quando obteve habeas-corpus que revogou a prisão.
Naquele dia, em uma entrevista coletiva, Noronha disse que, recentemente, não esteve à frente de uma delegacia que pudesse investigar o narcotráfico ou o desmanche de carros roubados. ‘‘Fui o delegado que mais fechou desmanches quando estive no Cope. Antes da CPI, fizemos uma grande operação’’, lembrou. Ele também insistiu que não fugiu da CPI, mas que apenas viajou ‘‘para não passar por uma execração pública’’. Noronha alegou que estava apenas há três meses na Delegacia Geral, tempo considerado por ele como insuficiente para combater o narcotráfico e o desmanche dentro da Polícia Civil.

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