Noronha é exonerado, foge para não depor à CPI e tem prisão decretada Delegado que chefiava a Polícia do Paraná pode estar em Miami e quando voltar deverá ser preso e expulso da corporação Carmem Murara e Rubens Burigo Neto De Curitiba A CPI do Narcotráfico encerrou as suas investigações em Curitiba sem ouvir o ex-delegado-geral da Polícia Civil do Paraná João Ricardo Képes Noronha, acusado de ser um dos cabeças do esquema das drogas no Estado. Noronha não atendeu à intimação da CPI. A Justiça decretou a prisão temporária de Noronha e do delegado do Centro de Operações Especiais (Cope), Mário Ramos, ontem, no início da noite. Às 23 horas, emissoras de rádio de Curitiba noticiavam a prisão do ex-delegado-geral em Foz do Iguaçu. A Polícia Federal disse que eram boatos. Em Foz, a Folha percorreu delegacias e confirmou que Noronha não havia sido preso. Antes de encaminhar o pedido de prisão de Noronha, pela manhã, o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), pediu parecer ao Ministério Público. Noronha e Ramos foram indiciados por formação de quadrilha e tráfico de drogas. Noronha alegou motivos de saúde para não falar à CPI. A tomada de seu depoimento estava marcada para às 11 horas. O governo tentou demovê-lo. Sentindo-se pressionado, o governador Jaime Lerner (PFL) mandou exonerar Noronha e abrir procedimento administrativo para expulsá-lo da corporação. Noronha está no exterior, segundo informou ontem Luiz Alberto Machado Filho, um de seus advogados. O ex-delegado alegou não ter sido intimado oficialmente e se propôs a prestar esclarecimentos, a partir do dia 13 de março, quando retornar. A viagem foi estratégica. Noronha tinha certeza que a CPI lhe daria ordem de prisão. Apesar de o governo bater na tecla de que fez de tudo para que depusesse, Noronha teve espaço para agir. Os advogados de Noronha tentam relaxar o pedido de prisão. A recusa de Noronha irritou os deputados da CPI. ‘‘É uma auto-condenação’’, classificou Heber Silva (PDT-RJ). ‘‘Que respeito tem esse homem com o povo do Paraná?’’, questionou Moroni Torgan (PFL-CE). Robson Tuma (PFL-SP) também fez coro aos ataques. ‘‘A atitude do Noronha envergonha o governo do Paraná e a Polícia’’, disse. Ele defendeu a demissão de Noronha. Minutos depois veio a confirmação. Através do líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), o Palácio comunicou a exoneração de Noronha. O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RJ) fez discurso contundente contra o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira. Segundo o deputado, a recusa de Noronha em depor é ‘‘prova que há um desmando na Segurança do Paranᒒ. Mattos pediu a cabeça do secretário. Mas Malta tratou de restringir a solicitação ao colega de CPI. ‘‘Quem pediu isso foi o nobre deputado. Palavra mal falada não sai da boca deste presidente’’, minimizou. A Folha procurou o delegado do Cope, Mário Ramos, para repercutir o pedido de prisão, mas o telefone estava desligado às 19 horas. Pela manhã, antes da decisão judicial, Ramos alegou inocência. ‘‘Não quero falar mais nada. A confusão está muito grande’’, salientou. (Colaboraram Leandro Donatti, Luciana Pombo e Israel Reinstein)