Noronha cai e pode responder por tráfico
CRIME ORGANIZADO Noronha cai e pode responder por tráfico Governo evita desgaste e afasta delegado-geral da Polícia Civil e outros 19 policiais denunciados à CPI das Drogas Arquivo FolhaSOB SUSPEITANoronha: afastado do comando da PC depois que testemunhas dispararam acusações de envolvimento com esquema de drogas Leandro Donatti De Curitiba A CPI do Narcotráfico conseguiu, por tempo indeterminado, o afastamento do delegado geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Képes Noronha, que vai ser indiciado por tráfico de drogas e formação de quadrilha, segundo informou o relator CPI do Narcotráfico, Moroni Torgan (PFL-CE). O indiciamento de Noronha deve ocorrer ainda hoje. O afastamento foi determinado pelo governador Jaime Lerner (PFL) através de nota oficial do governo. O delegado, que foi substituído por Marco Antonio Lagana, é acusado de envolvimento com o narcotráfico, conforme depoimentos colhidos pela CPI anteontem e reafirmados ontem. Junto com Noronha, também ficam afastados de suas funções até investigações conclusivas os delegados Newton Rocha (ex-delegado geral e que vinha comandando o Grupo Tigre), Kyioshi Hatanda (Adjunto do 11º Distrito Policial), Mário Ramos (na linha de frente do Cope), Noel Francisco da Silva, Gerson Machado, Aprígio Siqueira, Égio Vicente e Joel Gevert. E ainda os agentes policiais Edimir da Silveira, Samir Skander, Reginaldo Moreira, Mauro Canuto, Homero, Germano, Cercal, Douglas, Volga, Valdomiro e Elisário. Edimir, Samir e Reginaldo estão presos por ordem da CPI desde a noite de anteontem. A decisão de afastar os delegados foi tomada por Lerner durante reunião no Chapéu Pensador, o gabinete do governo na subestação da Copel, com o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, e seu staff mais próximo. O presidente da Assembléia Legislativa, Nelson Justus (PTB), foi chamado por Lerner para conhecer o teor da decisão. O afastamento de Noronha já estava acertado na noite de terça-feira, minutos depois de as testemunhas convocadas pela CPI dispararem acusações pesadas contra a Polícia Civil do Paraná de conivência e envolvimento com esquema de drogas. De olho no desgaste político que a investigação da CPI pode trazer ao seu governo, Lerner e seus aliados acharam por bem afastar os delegados e policiais acusados até que uma investigação apure o grau de veracidade das informações fornecidas por traficantes presos à CPI. Lerner não pensou duas vezes em sacrificar Noronha, em nome da imagem de seu governo. Minutos antes de o Palácio Iguaçu divulgar a nota oficial anunciando o afastamento dos envolvidos, por volta das 11 horas, Noronha tentava dar o tom do comunicado, solicitando seu próprio afastamento. O governo, entretanto, já tinha versão oficial pronta: por determinação de Lerner, os delegados deveriam ser afastados. O afastamento temporário de Noronha e dos demais citados pelas testemunhas repercutiu bem junto à CPI. Pompeo de Mattos (PDT-RJ) disse que a CPI, ao levantar as denúncias contra a Polícia Civil, está abrindo uma cortina de fumaça e dando fôlego ao secretário da Segurança para fazer uma limpa interna. O governo do Paraná e o secretário têm a oportunidade de mostrar de que lado estão, reforçou o parlamentar carioca. Único paranaense integrando a CPI, Roque Zimmermann (PT) o Padre Roque também classificou o afastamento dos delegados como a medida mais adequada.





