''Nordeste vive uma africanização'', alerta deputado
Nordeste vive uma
africanização,
alerta deputado
As críticas do deputado Aldo Rebelo em relação à falta de políticas sociais também são contundentes. Temos uma africanização do Nordeste, que parece uma Biafra em período de guerra, disse o deputado, numa comparação ao Estado independente africano que, em 70, rendeu-se depois de uma guerra civil em que morreram 1 milhão de pessoas, principalmente vítimas da fome, e foi incorporado à Nigéria.
Ele reclamou ainda da falta de distribuição de cestas básicas, principalmente para as regiões atingidas pela seca. O presidente aumentou o valor da cesta básica de R$ 40,00 para R$ 60,00, mas não paga... Para o deputado, todo o problema é agravado pelo desemprego, o maior da história do País. É uma calamidade, um escândalo social, mas o governo não está preocupado com isso.
Rebelo coloca como perspectiva a criação do que chama de 5º movimento. Houve quatro e até hoje estamos à espera do quinto. Segundo ele, o primeiro foi a guerra contra os holandeses no Nordeste, que serviu para consolidar a dimensão territorial do País; o segundo foi a Independência que, em sua opinião, consolidou a unidade do território; em seguida veio a abolição da escravatura e a República que, para ele, abriram as portas para a modernidade e, por último, a Revolução de 30, com a industrialização e o estabelecimento de uma legislação social e trabalhista que não existia.
Há 70 anos estamos à espera do quinto movimento, diz o deputado, que critica FHC por regredir em relação às conquistas principalmente trabalhistas. Precisamos dar um salto e abrir uma nova perspectiva que retome o desenvolvimento do País em relação ao mercado interno e às potencialidades naturais para que possamos progredir economicamente, cientificamente e aprofundarmos os direitos políticos e sociais, com a participação política do povo ampliada, pregou.
O deputado está em seu terceiro mandato de deputado federal e preside a Comissão de Assuntos Trabalhistas e Previdenciários. Ele foi considerado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) como uma dos 100 cabeças mais influentes do Congresso. Rebelo, que é jornalista, também foi vereador em São Paulo de 1989 a 1991 e presidiu a União Nacional dos Estudantes de 1980 a 1981. (P.Z.)





