O empresário Marcelo Caldareli prestou seu segundo depoimento ontem ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e reafirmou a acusação de que foi achacado por vereadores para obter a doação de um terreno de 3.200 m2 às margens do Lago Igapó I. De acordo com ele, o projeto visava apenas regularizar a posse de uma área que já seria sua.

O delegado Alan Flore, que participa da investigação, perguntado sobre o envolvimento dos vereadores, disse que ''todas as possibilidades estão sendo levadas em consideração'' e ''nada foi descartado'' até agora.

A seguir, as declarações do empresário à imprensa:

Folha: O que você disse hoje ao MP?
Caldareli: Esclareci algumas coisas que não ficaram esclarecidas no primeiro depoimento.

Folha: Você negociou o projeto de lei com quem?
Caldareli: Eu não negociei. Eu fui entrar com usucapião e aí o Célio Guergoleto falou para mim que tinha mais acesso com o Renato (Araújo) e me levaria para conversar com ele porque tinha uma tramitação na Câmara que regularizaria o terreno. Eu comprei a posse do terreno em 1973, não tem terreno doado.

Folha: Quem falou em dinheiro com você?
Caldareli: Quando foi falar com o Renato foi que saiu que para acertar o negócio do terreno (...) teria que haver algum acerto, porque se não não passaria a lei. Como já estava para entrar em pauta no outro dia, fiquei apavorado. O que eu pude fazer é o que está no meu depoimento.

Folha: Como você obteve a lista?
Caldareli: Peguei em cima da mesa. Numa reunião (na Câmara).

Folha: O que ela significa?
Caldareli: Quem pode explicar é o Renato e os vereadores.

Folha: Ele falou quantos vereadores estavam cobrando propina?
Caldareli: Estão na lista os nomes - e com os preços na frente. Quem pode dar mais explicações é Renato, o Osvaldo Bergamin...

Folha: Como foi a entrega?
Caldareli: Um cheque, o assessor do Bergamin foi pegar - de R$ 6 mil. Aí no dia da votação precisou levar um dinheiro às pressas (na Câmara).

Folha: Quantos vereadores levaram dinheiro nisso?
Caldareli: Pela lista e pelo montante que pegou... Ou pegaram ou alguém ficou com o dinheiro.

Folha: Quanto você pagou no total?
Caldareli: Não lembro agora. R$ 25 mi, R$ 30 mil...


Folha: Você está andando com segurança após a denúncia?
Caldareli: Sim, (tenho) segurança.

Folha: Você sabia que o dinheiro foi usado para pagar uma dívida privada?
Caldareli: Depois que eu fiquei sabendo e assumi (a dívida). Foi depois que já tinha saído a lei. Sei que a dívida era do Célio Guergoleto e que o Renato e o Bergamin eram os avalistas.

Folha: Outros vereadores também estiveram na ante-sala da presidência enquanto você discutia o acerto?
Caldareli: Entravam e saíam, nunca paravam na sala. Havia um entra e sai. Aí vou encurtar agora: no dia da votação (muitos disseram), conta comigo, conta comigo.

Folha: Eram os mesmos?
Caldareli: É. E o duro é que quem não entrou também falava. (F.C.)

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