Nomeação pode trazer problemas
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terça-feira, 29 de outubro de 2002
Marcos Espíndola<BR>Reportagem Local 
Exemplo clássico da situação em que se encontram algumas instâncias regionais da administração federal é a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) do Paraná. Ela está vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, que é chefiado pelo PPB, como parte do acordo político feito pelo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Cabe ao ministro nomear o delegado regional e suas chefias, via de regra indicados por lideranças partidárias no Estado.
Assim ocorreu com a nomeação do ex-delegado Celso Soares da Costa e sua equipe. Pesam sobre a DRT do Paraná uma série de denúncias de irregularidades, tanto que culminou com a exoneração de quase toda a chefia no Estado por determinação do ministro do Trabalho e Emprego, Paulo Jobim Filho.
``A DRT se encontra nessa situação, porque não se olha a competência, seriedade e a transparência e os mesmos problemas são conhecidos também em outros órgãos, como o Incra, Ibama e a Receita Federal``, adverte o deputado federal Padre Roque Zimmermann. O presidente da Executiva Estadual do PT, André Vargas, defende que as indicações devam conciliar aspectos políticos e técnicos, aproveitando ao máximo os funcionários de carreira.
Em casos como o da DRT, por exemplo, Vargas adianta que há a necessidade de despolitizar tais instâncias, tornando-as ágeis e transparentes. ``E as irregularidades constatadas em cada órgão poderão ser levadas para o Ministério Público, sem esquecer que temos que olhar para o futuro e nos pautarmos na implementação dos programas de governo``, avalia Vargas, que nãodescarta a participação dos partidos aliados na discussão.
O presidente do PPS paranaense, Rubens Bueno, acredita que não só é possível fazer bom uso dos cargos como também reduzí-los afim de garantir o enxugamento da máquina e evitar o desperdício. ``É preciso avaliar se tais cargos são de interesse público ou apenas para o apadrinhamento``, explica Bueno que, numa projeção preliminar, acredita que seria possível reduzir em até 50% número de funções. ``E os critérios para o preenchimento desses cargos devem ser o da probidade, competência e eficiência``, avalia Bueno.


