Brasília - A nomeação do filósofo Roberto Mangabeira Unger (PPS) para a Secretaria de Ações de Longo Prazo do governo Lula provocou ontem revolta na cúpula do PT. Na reunião do Diretório Nacional, petistas não escondiam o desgosto por terem sido ''escanteados'' no primeiro escalão enquanto aliados que sempre achincalharam o presidente são premiados. O filósofo foi um dos mais ácidos críticos de Lula desde o primeiro mandato: disse que o presidente era o mais corrupto da história e defendeu o impeachment.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou ontem com Mangabeira Unger para convidá-lo a comandar a secretaria O filósofo aceitou o convite, mas seu nome só será anunciado formalmente depois que Lula discutir a sua indicação com o PRB - partido do qual Mangabeira é fundador e vice-presidente. O PRB também tem em seus quadros o vice-presidente José Alencar.
A secretaria, que ainda vai ser criada por Lula, vai reunir o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o NAE (Núcleo de Assuntos Estratégicos). O órgão terá status de ministério e será a 36a. pasta do primeiro escalão do governo.
''Mangabeira se desmoralizou sozinho'', afirmou o secretário-geral do PT, Joaquim Soriano, da tendência de esquerda Democracia Socialista. ''Mas, depois da nomeação do Geddel, essa pauta morreu porque ele também chamou o presidente de corrupto'', observou, numa referência ao ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), que sempre fez oposição a Lula quando era deputado.
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse que o poder atrai. Berzoini achava que Mangabeira havia recusado o convite. Ao ser informado de que ele aceitara, abriu um sorriso. ''Então, aceitar o convite é sinal de que ele mudou de opinião. Isso se deve à liderança pessoal do presidente, que é muito forte. Mas, evidentemente, o poder também conta e faz parte do processo político a disputa de poder'', afirmou.
Depois, Berzoini tentou contemporizar. ''O PT não tem de ficar nem feliz nem triste. O presidente Lula deve ter seus critérios para fazer essa nomeações e não vejo problema nenhum no fato de pessoas que já foram nossos adversários entrarem no governo'', disse.
No encontro a portas fechadas, no entanto, petistas escancararam a insatisfação com o tratamento dado por Lula ao partido.

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