Curitiba - Luiz Eduardo Cheida (PMDB) irá se reunir com Beto Richa (PSDB) na quinta-feira pela manhã, às 10 horas, para conversar sobre a ida dele para a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). Esse encontro foi marcado após reunião da bancada do PMDB ontem à noite, na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Conforme a conversa evolua, ele já pode ser anunciado no cargo no mesmo dia, quando Beto empossa os deputados federais Reinhold Stephanes (PSD) e Ratinho Júnior (PSC) na Casa Civil e Desenvolvimento Urbano, respectivamente.
Ambos estavam comprometidos com a eleição da Mesa Diretora da Câmara Federal, vencida na segunda-feira por Henrique Alves (PMDB-RN), e agora podem assumir postos no primeiro escalão do governo. Beto adoraria já empossar Cézar Silvestri (PPS) na Secretaria de Governo, mas o projeto que tira cargos da Casa Civil para a criação dessa pasta chegou ontem na AL e ainda terá que tramitar pelas comissões antes de chegar ao plenário, depois do Carnaval.
Atentos a essas datas, os deputados estaduais do PMDB realizaram três reuniões ontem, inclusive com a presença do ex-governador Orlando Pessuti, para afinar o discurso da bancada. Se a conversa entre Cheida e Beto não encerrar a questão na quinta-feira, o resultado da articulação política seria anunciado só após o carnaval.
Cheida confirmou já ter conversado com o líder do governo na AL, Ademar Traiano (PSDB), sobre assumir a Sema. Só que o peemedebista esperava uma palavra do próprio Beto a respeito, pois considera que para executar a política ambiental seria necessário ter influência no IAP (Instituto Ambiental do Paraná), no ITCG (Instituto de Terras, Cartografia e Geociências) e no Instituto das Águas. ''Se estiver loteado, não tem comando'', hesita o político de Londrina.
''Se a bancada manter a decisão, e houver estrutura para trabalhar, há possibilidade'', disse Cheida. O Palácio Iguaçu sabe das condições que o político impõe, e já tinha sinalizado ao deputado estadual que pouco poderá ser feito nesse sentido. ''Eu nunca pedi nada'', defende-se Cheida, cuja indicação para o Meio Ambiente já circulava nos bastidores da AL desde novembro do ano passado. A sua confirmação na Sema aplacaria um problema criado pelo ''noivado'' do PSDB com o PMDB para a eleição de 2014.
Não houve como acomodar os figurões da legenda em secretarias estratégicas (Casa Civil, Planejamento, Governo, Administração, Sanepar), mas depois de tanto alarde é consenso entre os manda-chuvas que algo precisa ser anunciado, para demonstrar aos filiados do PMDB que o ''compromisso'' com Beto persiste. Cheida foi a solução encontrada. Ele seria o segundo ex-secretário de Requião (PMDB), opositor de Beto, a ingressar no governo do tucano. O primeiro é justamente Stephanes, escalado para solucionar a gestão político-administrativa de projetos selecionados pelo governador.
''Nomes não nos faltam. Só que precisam ser as pessoas certas nos lugares certos'', declarou o deputado estadual Teruo Kato, ontem, em seu primeiro pronunciamento como líder do PMDB. Partiu dele a iniciativa de ''inflar'' as competências de Cheida para a imprensa, dando sinal do andamento avançado das negociações. Dos 12 deputados estaduais, sete querem ''casar'' já com Beto, firmando um acordo para as eleições de 2014. Fontes do Palácio Iguaçu confirmam que seria melhor um PMDB unido, mas aceitam o ''parcial'' por enquanto.

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