Nomeação de 'cabo' de Justus foi na 'entrelinha'
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segunda-feira, 14 de março de 2011
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A ação civil pública protocolada na última sexta-feira contra dois ex-presidentes da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Nelson Justus e Hermas Brandão, e mais nove pessoas ligadas à Casa, revelou um esquema de nomeação de servidores na ''entrelinha'' dos atos oficiais. Um dos exemplos citados na própria ação civil pública, protocolada pelo Ministério Público (MP) do Estado, é o da nomeação de Carlos Roberto Andrade no gabinete do então presidente da AL Nelson Justus. A nomeação dele está no ato 713-A de 2007, inserido ''a lápis'' entre os atos 713 e 714 do mesmo ano. Além disso, o ato de nomeação, embora referente a 2007, foi publicado somente em 2009.
Segundo a ação civil pública, é possível constatar, analisando os contracheques de Carlos, que o nome dele estava na folha de pagamento desde março de 2007, mas até agosto de 2009 não havia ato de investidura publicado. Apenas no Diário Oficial 101, de 1º de setembro de 2009, é que aparece o ato 713-A, datado de 2 de fevereiro de 2007. ''Então, fica claro que, como entre março de 2007 e agosto de 2009 houve desembolso de verba pública para remunerar o ''servidor'' Carlos Roberto Andrade, mas não havia ato formal de investidura, tampouco publicação deste, houve a ''necessidade'' de ''criar'' tal ato'', diz trecho da ação civil pública, que é assinada pelos promotores de Justiça Cláudio Diniz, Maria Lúcia Figueiredo, Mário Schirmer e Paulo Ovídio Lima.
O caso de Carlos foi mostrado pela FOLHA DE LONDRINA em maio do ano passado. Embora morando em Ivaiporã, Carlos foi nomeado para o gabinete da presidência da AL, em Curitiba, onde nunca prestou serviços. Em depoimento à Promotoria de Justiça daquela cidade, Carlos admitiu que foi contratado para ''trabalhar politicamente'' para Justus, e não na esfera administrativa. A Reportagem na época mostrou que outras seis situações semelhantes, ligadas a Nelson Justus e também a Alexandre Curi, ex-primeiro secretário da AL, ocorriam em Ivaiporã, uma das principais bases eleitorais dos dois parlamentares.
O fato de Carlos não ter trabalhado efetivamente na presidência da AL é alvo de outro procedimento investigatório do MP. Na ação civil pública de sexta-feira, o MP se concentra na falta de transparência dos atos da AL e afirma que 11 pessoas, entre servidores públicos, parlamentares e ex-parlamentares, cometeram improbidade administrativa. Até sexta-feira, o MP deve entrar com novas medidas contra supostas irregularidades na AL.


