Curitiba - A indicação de Gerson Guelmann, assessor especial do governo, ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), vai enfrentar resistência na Assembléia. A indicação –feita pelo governador Jaime Lerner (PFL) e amparada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal– precisa ser aprovada pelos deputados.
A mensagem com a indicação chegou ontem à Casa, e a oposição promete votar contra. Nos bastidores, aliados do governo também se mostram arredios. Para evitar surpresas, Guelmann esteve ontem na Assembléia. ‘‘Vim pedir votos. Sempre pedi voto para os outros. Desta vez, é para mim mesmo.’’ A vaga surgiu com a aposentadoria de João Féder, em 2000.
A oposição argumenta que Guelmann não fez faculdade. A legislação diz que o curso superior é uma exigência para o cargo. Guelmann discorda. ‘‘Isso é discriminação e desrespeito dos deputados’’, rebateu. Ele apontou que a Constituição Estadual diz que o candidato precisa ter conhecimentos que podem ser garantidos por sua experiência. Guelmann foi ainda investigado por uma CPI que apurava suposto esquema de escutas telefônicas clandestinas no Palácio Iguaçu. A comissão, no entanto, foi barrada pela Justiça.
Guelmann se disse confiante na homologação de seu nome. Tem 54 anos, e está desde 1989 com o grupo de Lerner.
‘‘Vamos votar contra’’, prometeu Nereu Moura, líder do PMDB. Mas o entrave pode ser ainda maior. Os procuradores do TCE prometem entrar hoje com uma medida cautelar, em Brasília. Eles querem que a vaga seja preenchida por um procurador.
Moysés Leônidas (PPB), da base governista, disse que ainda não decidiu seu voto em relação à indicação de Guelmann. Para ser aprovada, a mensagem precisa da maioria simples dos deputados, ou seja, maioria de votos dos deputados presentes. A votação, ainda sem data marcada, será secreta.

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