Noite foi fria, longa e de muita tensão
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quinta-feira, 22 de junho de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
Além de ter sido histórica por causa da cassação do primeiro prefeito de Londrina, a sessão que terminou ontem pela manhã foi também uma das mais longas da história do Legislativo londrinense durou 26 horas. Foram horas de nervosismo, muita expectativa, pequenos incidentes para os vereadores e para os integrantes dos movimentos pró e contra o prefeito afastado e agora cassado Antonio Belinati (PFL).
Se o início da sessão, anteontem, pela manhã, foi marcado por alguns tumultos, a tarde e as primeiras horas da noite foram bastante tranquilas e até monótonas, principalmente enquanto durou a leitura das peças processuais 1.924 páginas no total. Apesar de o advogado de Belinati, Mauro Viotto, ter permitido a retirada de várias páginas, a leitura (feita em revezamento pelos vereadores) acabou somente à 0h23 de ontem. Durante esta fase, no prédio do Legislativo havia mais policiais militares cuidando da segurança que populares nas galerias.
Um único incidente foi registrado. Alguns integrantes do grupo pró-Belinati iniciaram um tumulto no lado da galeria destinada aos membros do Movimento pela Moralização na Administração Pública. Não deixaram a gente entrar com nenhuma bolacha, mas aqui entraram até com máquina fotográfica, reclamou o ex-secretário de Recursos Humanos, Marcos Colli. Estamos pedindo providências há mais de uma hora para a Polícia Militar, disse, para justificar a invasão. Os mais exaltados foram contidos pelos policiais militares e tudo se acalmou em poucos minutos.
Depois da leitura do processo, o procurador jurídico da Câmara, João Gomes, apresentou seu parecer que, como já era esperado, foi a favor da votação secreta. O voto secreto é a que melhor se afeiçoa às exigências legais, ao princípio instrumental do processo, aos interesses sociais de justiça e respeito aos direitos políticos do acusado, dizia um trecho do parecer.
A opinião do procurador do Legislativo provocou discussões entre os vereadores. Pelo menos quatro deles se pronunciaram favoráveis ao voto aberto, alegando principalmente transparência dos trabalhos. Ao todo, foram 16 vereadores que usaram a palavra para falar sobre o processo.
Viotto usou, em seguida, duas horas para fazer a defesa de Belinati. (Estou) defendendo o cidadão primeiro de Londrina, afirmou, para fazer, em seguida, uma breve histórico de Belinati. Ele apelou ainda para a fama de Londrina, que seria manchada com a cassação de seu prefeito. Belinati sempre foi um homem de prestígio inabalável, foi um dos elogios que o advogado teceu. Ele estava no lugar de João Alberto Graça, que compareceu à sessão, mas não atuou porque está se recuperando de uma intervenção cirúrgica.
Pouco antes das 7 horas, quando completava 24 horas de sessão, começou a parte mais tumultuada: a discussão sobre como seria a votação. Tercílio Turini (PSDB) apresentou um requerimento assinado por 12 vereadores, solicitando que o voto fosse aberto.
Em poucos minutos aconteceu a votação das sete denúncias constantes no relatório final da Comissão Processante (CP), acompanhada por um número maior de integrantes dos grupos pró e contra Belinati.
Ao final dos trabalhos do Legislativo, enquanto o grupo pró-Belinati saía em silêncio, os integrantes do movimento cantaram o Hino Nacional e parabenizaram principalmente Orlando Bonilha (PDT), que fez mistério, mas acabou votando favorável à cassação. Em silêncio, os vereadores Antenor Ribeiro e Renato Araújo, ambos do PPB e do bloco de apoio ao prefeito cassado, deixaram o plenário momentos após a votação histórica.


