O reitor do Centro de Ensino Superior de Maringá (Cesumar), Wilson Matos, assumiu a vaga de senador em substituição a Alvaro Dias, que saiu de licença médica por quatro meses. Nesta entrevista, o professor fala sobre os projetos que pretende apresentar e da situação de assumir uma cadeira no Senado sem ter recebido nenhum voto. Os suplentes de senadores fazem parte de uma lista elaborada dentro dos partidos, não são votados diretamente pela população.
 

O senhor é um legítimo representante do povo, mesmo não tendo votos?

Minha posição é legal, está previsto na legislação. Meu nome foi colocado nos materiais de divulgação do senador do Alvaro Dias, foi veiculado ali. As pessoas têm o direito de protestar quanto ao suplente.

  
As pessoas não ficam atentas...

O suplente é alguém de articulação política. Estou no PSDB há 12 anos, desde que o partido se organizou. Suplente não é um cidadão anônimo, desconhecido da sociedade. É alguém que tem propostas, que na ausência do titular pode levar avante as propostas do partido e também contribuir pessoalmente. São esses os critérios, e tem que ser aprovado pelo partido. Uma vez que meu nome foi aprovado, legalmente tenho direitos plenos.
  

O que dá para fazer em quatro meses de mandato?

Não dá para aprovar nenhuma lei, mas vou deixar vários projetos tramitando e sensibilizar com questões muito focadas o ministro da Educação, outros membros do ministério e um grupo bom de senadores.


Já propôs algum projeto no Senado?

Dei entrada em um projeto na área de segurança. Os motociclistas serão obrigados a usar colete onde esteja gravado, na frente e atrás, com tinta reflexiva, a placa da moto, que também deverá estar no capacete. Além de dar maior segurança vai facilitar a identificação. A polícia seria a responsável pela fiscalização.


Pretende apresentar outros?


Minha missão chama-se educação. Tenho vários projetos, mas estou articulando primeiro, mantendo contato com vários senadores, deputados federais, porque não quero entrar com um projeto isolado, até porque daqui uns dias eu saio. Entre os projetos estão: o aumento dos dias letivos de 200 para 220; do número de horas que os estudantes passam na escola para, pelo menos, meia hora a mais; diminuição do número de faltas de 25% para 10%.


Mas o governo tem fôlego para implantar esse aumento em todas as escolas públicas?

Sim. O Fundeb prevê R$ 2 bi para este ano para suplemento dos custos na educação básica brasileira. O ano que vem, R$ 3 bi e, em 2009, R$ 4,5 bi. Deste dinheiro, 60% é para complementar salários e 40% para melhorar as condições físicas, equipamentos. Já que vai haver esses recursos, é hora de aumentar um pouquinho a carga horária.
  

Mas, muitas vezes, esses recursos ficam apenas no papel, não chegam às escolas...

No caso do Fundeb vão haver conselhos regionais, estaduais e nacional, compostos por estudantes, pais, promotoria, para acompanhar a trajetória do dinheiro. Eles vão analisar e aprovar contas, isso será muito bom porque haverá fiscalização.


Como está sendo a receptividade dos senadores e dos integrantes do Ministério da Educação?

Pouquíssimos deles tinham consciência dessas propostas bem focadas. Há um preconceito contra a escola privada brasileira, acham que nós não teríamos como contribuir. Estou mostrando que estamos aqui para somar, construir uma nação melhor, o que só se dá por meio da escola de qualidade.
  

Pretende, depois dessa experiência, se candidatar?

A princípio, não. Tenho oito anos como suplente. Já estou dando minha contribuição nesse momento, vou continuar a articulação dos meus projetos. Minha missão é a educação, não tenho pretensões de carreira política.

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