O presidente Fernando Henrique Cardoso evitou ontem falar sobre a crise que envolve o governo, durante a inauguração da fábrica da General Motors, em Gravataí (região metropolitana de Porto Alegre), e pediu à oposição para ‘‘esquecer o sectarismo’’ para ‘‘o bem do Brasil’’.
FHC permaneceu cerca de uma hora e meia no local e, após a solenidade, que contou com a presença de mais de 2 mil pessoas, deixou a fábrica sem se aproximar dos jornalistas. Houve um protesto contra ele do lado de fora.
Na única referência ao atual momento político, FHC falou de semelhanças entre o comportamento de sua administração e a do governador Olívio Dutra, seu anfitrião e membro do PT – partido que pede investigação sobre as relações do Palácio do Planalto com o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.
‘‘O governador não pertence ao meu partido. Vamos unir as forças quando for necessário, vamos estar juntos pelo bem do povo, vamos esquecer os sectarismos, os ódios, a impostura. Há tanta coisa a fazer pelo bem do Brasil’’, disse FHC.
O protesto contra o presidente foi feito por cerca de mil manifestantes. As pessoas gritaram palavras de ordem vinculando FHC ao caso que envolve o ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas Pereira, pivô da atual crise do governo. ‘‘Fernando Henrique, amigo do Lalau, cadê a grana do tribunal’’, cantavam os manifestantes.
O coro aludia ao ex-juiz, acusado de participar do desvio de R$ 169 milhões da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo. Ele manteve relações com Eduardo Jorge. Os manifestantes, que tiveram os ônibus que os transportavam revistados, foram impedidos pela Polícia Militar de entrar na GM. A PM empregou 500 soldados no lado externo da fábrica. FHC, que chegou de helicóptero ao local, não viu e nem ouviu os protestos. O Exército participou do esquema de segurança do lado interno. (Leia mais sobre a inauguração da fábrica da GM na Folha Economia)

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