O prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde, candidato à reeleição pelo PFL, já deu mostras ontem de como pretende neutralizar uma das armas que devem ser usadas contra ele no segundo turno, qualquer que seja seu adversário. De manhã, logo após votar no Itanhangá Golf Club (zona sul), ao ser questionado sobre se espera o apoio explícito do presidente Fernando Henrique Cardoso, respondeu que quer ‘‘o apoio da população’’. A resposta do candidato mostra o cuidado de Conde em manter-se longe da imagem de político ligado à base de sustentação do governo federal.
Até agora, Conde mostrou em sua campanha que tem bom trânsito junto a FHC, mas sempre repetiu que o candidato do presidente no Rio é Ronaldo Cezar Coelho (PSDB). O candidato à reeleição tem bom trânsito também junto ao governador Anthony Garotinho (PDT), que já informou que apoiará o prefeito caso seu adversário no segundo turno seja Cesar Maia (PTB).
Caso dispute a prefeitura com Maia, Conde avalia que ficará ainda mais forte a aliança formada por três das principais forças do Estado: o governador, o prefeito e o presidente da Assembléia, Sérgio Cabral (PMDB). ‘‘Se o governador entrasse na nossa aliança, daria mais força para a presença política do Rio no cenário nacional’’, disse Conde, numa referência à sua chapa que inclui, além do PFL, PMDB, PSC e PSD.
Caso seu adversário seja Benedita da Silva, candidata do PT, Conde já sabe que não terá o apoio de Garotinho, mas sabe também que não será hostilizado pelo governador.
Leonel Brizola, candidato do PDT, acenou com a possibilidade de um eventual apoio a Maia no segundo turno. Apesar de ter dito que existe a possibilidade de o partido recomendar voto em branco, não descartou apoio a Maia, uma vez que ele está sob um ‘‘guarda-chuva trabalhista’’.
A disputa acirrada pelo direito de ir ao segundo turno das eleições para prefeito do Rio repete o ocorrido nas duas eleições municipais anteriores, em 1992 e 1996.

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