No Rio, acordo Maia-Conde parece impossível
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sábado, 27 de março de 1999
Agência Estado 
O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, se prepara para seguir caminho idêntico ao do chefe do Executivo paulistano, Celso Pitta, que deixou o PPB após brigar com seu ex-padrinho político, Paulo Maluf. Irritado com a oposição que tem sofrido de seu ex-guru, o ex-prefeito Cesar Maia, o prefeito carioca avisou na semana passada à cúpula do PFL que decidirá em setembro, quando avaliará a sua popularidade, se vai sair da legenda, o que é considerado quase inevitável na direção partidária, caso o quadro não mude. Desde já, porém, o racha já prejudica o partido em sua mais forte seção no Sudeste.
Antes de viajar para a Alemanha, na semana passada, para participar de uma conferência de prefeitos, Conde disse ao presidente regional do partido, Arolde de Oliveira, que pretende, até setembro, já ter superado os dias mais difíceis de sua administração, retomado o ritmo forte de obras públicas e feito um bom trabalho de divulgação de suas realizações. Ele acha que no momento as pesquisas (apontando a liderança de Maia) são inócuas. Já o ex-prefeito diz que em nenhuma hipótese apoiará Conde em 2000.
O prefeito acha que seu antecessor não quer a paz de jeito nenhum, o que pode inviabilizar a sua permanência. Se o Cesar ficar no partido, com a idéia de uma candidatura sua ou alternativa à do prefeito, o Conde sai, confirma Oliveira. Mas não está afobado para sair, não está com raivinha, está sereno.
O prefeito quer ser candidato à reeleição, mas Maia também trabalha para concorrer ou, pelo menos, ter o controle da candidatura do partido. Ironicamente, a movimentação dos dois pré-candidatos lembra as disputas mais acirradas do antípoda político do PFL, o PT, com brigas de grupos e até a constituição, por Maia, de uma tendência, a Reconstrução-PFL, e documentos ideológicos nos moldes da esquerda.
Maia admite que tem se inspirado nas táticas de luta política da esquerda para fazer o enfrentamento interno no PFL. Sou produto de toda a minha trajetória, diz Maia, que começou na política militando na Corrente, um racha do PCB, nos anos 60. O tipo de livro que li não pode desaparecer da minha cabeça, agora; não foi criado nenhum constrangimento no PFL não, acharam interessante. O ex-prefeito diz que o partido cresceu após sua entrada, por ter deixado a direita do espectro político e procurado o centro, com propostas sociais.
O conflito começou em janeiro, depois que Maia tentou, sem sucesso, assumir a condução do processo sucessório - o primeiro passo seria que escolhesse os componentes do novo diretório na cidade e os novos delegados à convenção de 2000. O prefeito reagiu, a cúpula nacional interveio e impôs uma direção de consenso, mas a discordância continuou. O mais recente ponto é a composição da executiva municipal do partido na capital. Maia não aceita a atual, dizendo que o presidente municipal, Rubem Medina, indicado como neutro, é condista. Inconformado, Medina colocou o cargo à disposição.
Medina acha que a crise deixa um saldo de desgaste para o PFL e até para o PSDB, em que alguns políticos, como o presidente do diretório municipal, vereador Otávio Leite, reagiram aos ataques que Maia lhes fez em passado recente. É uma situação delicada, afirma. Já Oliveira acha que seu partido terá que optar. Ou ficamos com o Cesar e todas as suas polêmicas, já que ele é polêmico, ou saímos para outra alternativa. Ele diz que gostaria de ficar com as duas opções - Conde, candidato à reeleição, e Maia, se preparando para concorrer ao governo em 2002 - mas reconhece: é quase impossível.


