São Paulo - A resistência em relação à reabertura do caso Celso Daniel e a posição diante das denúncias de corrupção na prefeitura de Santo André são uma contradição entre discurso e prática da cúpula do PT. A opinião é do economista Paulo de Tarso Venceslau, expulso do partido após fazer acusações contra o compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Teixeira, em 1997.
''A ética é uma bandeira que serve para fora, mas não para dentro do PT'', afirma o economista, para quem o suposto esquema de propina na administração do prefeito assassinado ''não é novidade''.
Há cinco anos, Paulo de Tarso, ex-secretário das Finanças de São José dos Campos, denunciou suposto esquema envolvendo a Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM), que teria ligações com Teixeira, e cidades administradas pelo PT, entre as quais Santo André. Segundo ele, em troca de contratos com as prefeituras, a CPEM fazia doações para o partido. Lula usaria sua influência para recomendar a empresa.
A Comissão de Ética petista abriu um processo para apurar o caso. Criou um grupo de investigação especial, que obteve indícios de que as denúncias tinham fundamento. Mas o processo se voltou contra Paulo de Tarso, após intervenção da cúpula petista. A comissão, então, isentou o partido, Lula e Teixeira das acusações e concluiu por expulsar o economista.
Outro exemplo envolvendo o partido em que os denunciantes viraram alvo ocorreu na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Santo André criada para investigar a existência de uma rede de propinas para campanhas eleitorais do PT. Os vereadores da comissão, todos eles da base governista na Câmara Municipal, concluíram não ter encontrado documentos que provassem as irregularidades, portanto não fizeram nenhuma acusação contra os supostos envolvidos, entre os quais os empresários Sérgio Gomes da Silva - preso sob acusação de mandar matar Daniel -, Ronan Maria Pinto e o vereador Klinger de Oliveira Souza.
A CPI, porém, sugeriu ao MPE que investigasse a licitação vencida pela empresa de ônibus de Luiz Gabrilli Filho. Isso porque, em depoimento aos vereadores, ele disse ter pago aos demais participantes da concorrência para que desistissem. Gabrilli é uma das testemunhas que sustentam a existência do suposto esquema de corrupção na cidade.

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