No primeiro debate na TV, Beto e Osmar viram alvos
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Catarina Scortecci<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - No primeiro debate entre os candidatos a governador do Paraná realizado na TV, os dois principais nomes da disputa, Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT), se tornaram alvos de concorrentes ''nanicos'', durante as quase 2 horas de transmissão da TV Bandeirantes, quinta-feira à noite. Os candidatos Paulo Salamuni (PV), Amadeu Felipe (PCB), Avanilson Araújo (PSTU) e Luiz Felipe Bergmann (PSOL) partiram para o ataque contra as duas maiores coligações da eleição. Já o policial militar Robinson de Paula (PRTB), que aparentava mais nervosismo entre os sete postulantes, levantou a bandeira de protesto contra o ''Caixa 2'', mas não citou nomes e acabou se aproximando da neutralidade. Beto e Osmar também se alfinetaram, embora indiretamente. Três pedidos de direito de resposta chegaram a ser registrados, dois por Osmar e um por Amadeu, mas acabaram sendo indeferidos pela organização do debate. Outros três debates na TV devem ser realizados até as urnas, em outubro.
Logo no primeiro bloco, quando os candidatos foram questionados sobre o motivo que os levam a disputar o governo do Estado, Avanilson provocou Beto e Osmar, os chamando de nomes ''tradicionais'' da política paranaense. Segundo ele, haveria uma ''falsa polarização'' na disputa, já que os dois, até pouco tempo antes do registro das suas candidaturas, articulavam a possibilidade de formarem uma única chapa. ''Um é representante dos grandes empresários de Curitiba. O outro é representante dos grandes proprietários de terra do interior'', cutucou ele. Amadeu também reforçou mais para frente: ''As brigas são aparentes''. ''Regra é partido ter candidato e não fazer acerto'', se juntou Salamuni.
O candidato do PSOL também chamou Osmar e Beto de ''representantes da elite parasita'' e questionou o financiamento privado das campanhas eleitorais de ambos. ''Eles (empresários) não dão o dinheiro, eles investem. Vão querer o retorno depois, que vem em obras superfaturadas e desnecessárias'', atacou Bergmann.
Já no terceiro bloco, Avanilson tentou colar a imagem de Beto à do ex-governador do Estado Jaime Lerner, lembrando que o tucano, quando deputado estadual da base lernista, aprovou a venda do Banestado. ''O Banestado estava numa situação difícil, falido, servia apenas para políticos que pediam empréstimos e não pagavam. O banco estava quebrado'', justificou o tucano, alegando ainda que já estava como vice-prefeito de Curitiba na época da tentativa de venda da Copel.
O mesmo discurso contra a privatização serviu para Osmar também atacar o tucano: ''(A venda do Banestado foi) aprovada com os votos daqueles que hoje falam que vão defender a empresa pública. Por que quando teve a oportunidade não votou contra a privatização do Banestado? Não fez isso. Não pode falar que vai fazer''.
Em outro momento, Beto devolveu: ''Vocês sabem de quem é a lei que autoriza a concessão de serviços públicos? É de um deputado do PDT. Vocês sabem quem era o presidente do Banestado por ocasião da sua privatização? É um deputado hoje do PMDB. O PMDB não está na minha coligação''.
Osmar também foi obrigado a responder sobre pontos considerados polêmicos da sua campanha eleitoral, como a sua relação com o agronegócio e, ao mesmo tempo, com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ''Temos que verificar quais as propriedades que estão cumprindo com todos os requisitos e a responsabilidade social. Se elas estão cumprindo, não há por que desapropriá-las. Se não estão cumprindo, a Constituição prevê isso (a desapropriação). Não é preciso ninguém sair por aí dizendo 'eu defendo o direito de propriedade e o outro não'. Isso está na Constituição'', afirmou o pedetista, ao ser cutucado por Amadeu.


