Curitiba - ''Nós estamos bastante preocupados, pois as obras de mobilidade urbana estão todas atrasadas e nós tememos não tê-las concluído até a Copa do Mundo'', afirmou ontem o presidente do Tribunal de Contas (TC) do Estado, Artagão de Mattos Leão. Ele confirmou que, mesmo já tendo perdido R$ 16 milhões em investimentos federais (revitalização do Centro Cívico e Corredor Metropolitando, que ligaria cinco cidades), o governo do Paraná e a Prefeitura de Curitiba colocam em risco os outros R$ 435 milhões previstos ao retardarem licitações e atrasarem pagamentos às empreiteiras.
O relatório divulgado pelo TC é o levantamento mais atualizado sobre as obras que o Paraná ''ganharia'' por recepcionar jogos da Copa de 2014. Após vistoriar os empreendimentos e ouvir os envolvidos, os técnicos do Tribunal atestam que, dos 21 ''canteiros de obras'', quase a totalidade tem problemas. Oito não foram nem licitados, um está paralisado (rescisão de contrato) e dez atrasaram. De acordo com o TC, apenas duas ações estão ''concluídas'' (pesquisa de contagem de tráfego no Corredor Aeroporto-Rodoferroviária e a revitalização de 3,27 km da Avenida Comendador Franco).
Parte dos atrasos, disse o presidente do TC, são decorrentes de atrasos no pagamento das empreiteiras. Governo do Paraná e Prefeitura de Curitiba devem R$ 32 milhões por serviços já executados. ''Os dias estão passando rapidamente e nós precisamos que nossas autoridades cumpram com os prazos e realizem essas obras. O legado que ficará ao Estado, para a população, são essas obras de infraestrutura'', alertou Artagão. Como o repasse está condicionado à Copa de 2014, as obras que não ficarem prontas no prazo podem perder os recursos prometidos, ficando inacabadas.
Para agilizar o processo, os 12 grandes projetos foram ''loteados'' entre mais de uma empresa, complicando o quadro geral. É o caso da reforma da rodoferroviária da Capital, cujo prédio já passa por obras (apenas 16,6% concluídas). Só que as mudanças na malha viária do entorno do maior terminal de passageiros do Estado, para desafogar o trânsito congestionado da região, sequer foram licitadas.
Situação semelhante ''fatiou'' o Corredor Aeroporto-Rodoferroviária em cinco canteiros de obras diferentes, dos quais apenas três têm operários trabalhando. Um turista que desembarque no Afonso Pena corre o risco de, ao se deslocar até o centro de Curitiba, ver em pedaços alternados a antiga e a nova rodovia desenhada para a Copa de 2014. Sob a responsabilidade da Prefeitura de Curitiba, os lotes 1 e 4 dependem de licitação, o lote 2 está pronto e o 3 em andamento. O governo do Paraná iniciou o lote 5, que devia estar pronto em dezembro deste ano, mas até agora só tem 5,37% da obra acabada.
Para pressionar os órgãos públicos, o presidente do Tribunal de Contas disse que manterá uma equipe acompanhando as obras e divulgando relatórios atualizados a cada 45 dias. Artagão disse para a imprensa que as comissões criadas pelo governo do Paraná e Prefeitura de Curitiba para fiscalizar as obras não fizeram bem o seu papel. Por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), o TC também vai assumir a fiscalização das obras na Arena da Baixada, onde o poder público está colocando R$ 123 milhões.
Assim que receber R$ 98 milhões do crédito financiado com ajuda do poder público (equivalente a 65% do total), o Clube Atlético Paranaense precisará de aval do TC para gastar o restante do dinheiro. Enquanto isso, o Tribunal está conferindo o projeto da obra e calculando as despesas já assumidas, para verificar se os gastos estão dentro dos preços de mercado.

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