Arquivo FolhaO conciliadorGovernador Jaime Lerner: ‘‘Ele vai ter que escolher o seu lado’’Adversários políticos no Paraná, o governador Jaime Lerner (PFL) e o presidente da Telecomunicações do Paraná (Telepar), Álvaro Dias (PSDB), pretendem ter o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em suas campanhas pelo governo do Estado. Ambos prometem também trabalhar pela reeleição do presidente.
‘‘Se ele subir em um palanque será no do PSDB’’, decreta Dias, que foi eleito presidente regional do partido. Mas avisa que não fará convite para que isso aconteça. ‘‘O PSDB do Paraná tem compromisso com a reeleição do presidente, mas vamos deixar que ele articule a sua própria reeleição.’ O ex-governador já foi lançado pelo partido como candidato, mas ainda não assumiu essa condição. ‘‘Coloco em primeiro lugar a população’’, disse. Ele defende uma pesquisa prévia.
Uma das vozes mais fortes na oposição à entrada de Lerner no PSDB, quando o governador recebeu convite para tornar-se tucano, Álvaro acusa-o de ter colocado o Paraná ‘‘numa situação financeira que provoca depressão’’. Mas acrescenta que esse não é o único motivo de sua oposição. ‘‘Nossas diferenças são históricas, desde quando ele era Arena e eu era MDB’’, afirma.
Lerner, que venceu Álvaro nas últimas eleições, quer repetir a dose. Ele até admite que o ex-governador suba no palanque para fazer campanha conjunta para a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Se for palanque de deputado federal e ele se aliar conosco, tudo bem’’, diz. Como os dois pretendem ser candidatos ao governo, Lerner jogou a decisão do apoio para o próprio presidente. ‘‘Ele vai ter que escolher o seu lado.’
Arquivo FolhaO enfáticoÁlvaro Dias: ‘‘Se ele subir num palanque, será no do PSDB’’
O senador Roberto Requião (PMDB), adversário do presidente Fernando Henrique Cardoso, está tentando viabilizar sua candidatura à Presidência. Caso não consiga, ele pode optar por representar o PMDB na disputa pelo governo paranaense. O partido também tem conversado com o PSDB analisando uma possível aliança. ‘‘É possível administrar a questão nacional’’, admite Álvaro Dias. ‘‘Há possibilidades de acordo contra Lerner e sua quadrilha’’, afirma Requião.
DISTRITO FEDERALFernando Henrique Cardoso tem duas opções de palanque em Brasília, mas ainda não revelou sua preferência. Ele pode apoiar o líder do Governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB), ou o candidato ao governo pelo PMDB e ex-governador Joaquim Roriz. Em chapas distintas, Arruda e Roriz vão enfrentar o governador Cristovam Buarque (PT), candidato à reeleição.
Arruda conseguiu reproduzir localmente a aliança PSDB-PFL-PTB, atraindo o apoio do empresário Paulo Octávio, um dos chefes do PFL, e do ex-senador Valmir Campelo, do PTB. Valmir foi indicado pelo Senado para a última vaga aberta no Tribunal de Contas da União, com decisivo apoio do líder do Governo.
Em comum, Paulo Octávio, Arruda e Campelo têm o passado: todos foram aliados de Joaquim Roriz até seu último dia de governo: 31 de dezembro de 1994. O primeiro a romper foi Paulo Octávio, mais por divergências com o deputado distrital Luiz Estêvão do que com o próprio Roriz. Valmir Campelo foi o candidato de Roriz ao governo em 1994, derrotado por Cristovam. Arruda foi o secretário mais importante de Roriz, que o elegeu senador pelo antigo PP. Na fusão que resultou no atual PPB, virou tucano e afastou-se de Roriz, que o trata como um traidor.

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