Curitiba - O ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT), afirmou ontem, em Curitiba, que irá reformular todo o ministério e que, para isso, espera o apoio da presidente Dilma Rousseff (PT). Ele participou da abertura da 90ª reunião do Fórum Nacional de Secretarias Estaduais do Trabalho (Fonset), no Hotel Bourbon, onde conversou rapidamente com jornalistas. Incomodado com o assunto, ele não detalhou quais alterações seriam essas e quando aconteceriam.
Com o cargo em risco desde que denúncias de desvios em convênios com ONGs (Organizações Não Governamentais) e Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) vieram à tona, ele propôs a realização de um verdadeiro mutirão nos contratos. "Nós vamos agora reformular toda essa relação de convênios. Estamos fazendo uma alteração profunda, extinguindo de todas as maneiras qualquer irregularidade, e após essas averiguações todas nós vamos estabelecer um novo modelo de relação", disse.
No início da semana, a Polícia Federal (PF) encontrou problemas em contratos firmados entre o ministério e o Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania (IMDC), durante as investigações da Operação Esopo. O esquema pode ter causado prejuízo de mais de R$ 400 milhões aos cofres públicos nos últimos cinco anos. A denúncia resultou na prisão preventiva de dois funcionários e provocou a demissão do secretário-executivo Paulo Roberto Pinto, o "número 2" da pasta do Trabalho.
Além do mutirão, Manoel Dias defendeu, em médio prazo, a realização de uma ampla reforma administrativa no governo, para evitar novos desvios. "O serviço público é peça fundamental nesse processo de grandeza que o País está vivendo, e para consolidar, assistir e dar sustentação a esse desenvolvimento, (precisamos) de uma gestão moderna, com profissionalização, para que o trabalhador tenha estímulo e que saiba que ele, naquela carreira, é peça fundamental na construção desse grande país", defendeu Dias. Em 2011, uma investigação semelhante derrubou do mesma cargo o então ministro Carlos Lupi. O Ministério do Trabalho é controlado pelo PDT desde 2007.
"A reunião da Fonset já estava programada, mas ao mesmo tempo acontece num momento de crise. Crise é igual a oportunidade", afirmou o secretário estadual do Trabalho, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). "O desafio é romper com o passado, fazer com que nós consigamos ter um modelo de transferência de recursos dentro do princípio republicano, por fim no repasse para ONGs sem licitação, pregão eletrônico ou termo de referência", disse Romanelli.

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