Curitiba - Três parlamentares da Assembléia do Paraná eleitos para o atual mandato, mas licenciados para ocuparem cargos de secretários no Executivo, também recebem as verbas de gabinete para despesas de escritório e contratação de pessoal - em torno de R$ 60 mil no total, por mês. São eles: Ênio Verri (PT) e Nelson Garcia (PSDB), ambos secretários de Estado, e Rui Hara (PSDB), que recentemente assumiu uma secretaria na administração em Curitiba. Trata-se de uma velha prática adotada no Estado. O próprio presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), já manteve gabinete na Assembléia quando estava à frente de uma pasta no Executivo, na gestão do ex-governador Jaime Lerner. Mas, apesar da tradição local, na Câmara Federal, ''deputado-secretário'' não tem direito aos ''extras''.
Pela lei, o ''deputado-secretário'' até pode optar pela remuneração da Assembléia, ou seja, pelo subsídio mensal, em torno de R$ 12 mil atualmente, no caso do Paraná. Se optar pelo salário do Legislativo, ele não tem direito a receber nada do Executivo. As verbas ''extras'', porém, não fariam parte do pacote. Assim é a interpretação da Câmara, que paga o salário ao ''deputado-secretário'', mas destina as verbas de gabinete apenas ao respectivo suplente do licenciado. No Paraná, a despesa é dupla: a Assembléia oferece R$ 60 mil ao parlamentar licenciado e mais R$ 60 mil ao seu respectivo suplente.
Na última terça-feira, o deputado estadual Reinhold Stephanes Júnior (PMDB) anunciou que vai sugerir uma nova regra ao Regimento Interno da Casa, proibindo a prática. Stephanes Júnior acredita que o benefício ''é um absurdo'', mas afirma que a mudança não deve sofrer resistência. ''Como não afeta a maioria (dos parlamentares), acho que não haverá problema para ser aprovada.'' Justus garante que o espaço físico na Assembléia já não existe para os três licenciados. A reportagem, porém, ainda encontrou o gabinete do ''deputado-secretário'' Nelson Garcia, em visita a um dos andares do edifício, funcionando normalmente.
Já Ênio Verri de fato não possui gabinete no local. Mas explicou que defende as verbas ''extras''. ''Eu 'estou' secretário, mas eu 'sou' deputado. Tenho que manter ligação com a minha base eleitoral. Como secretário eu não posso priorizar a minha região'', argumentou. (C.S.)

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