Curitiba - As chances do PSDB, partido que exerceu oposição ao governo estadual durante três anos e meio na Assembléia Legislativa, se aliar agora com o governador Roberto Requião (PMDB) para a disputa das próximas eleições são grandes. A afirmação é do presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva. Apesar de a afirmação não ser reforçada pelo presidente estadual do PSDB, deputado Valdir Rossoni, que inclusive é líder da oposição na Assembléia, a hipótese também não é mais totalmente descartada como acontecia há poucas semanas.
''Só vamos conversar depois do dia 19, quando o PDT nacional já tiver tomado sua decisão (na convenção nacional). O Geraldo Alckmim (candidato tucano à Presidência) deixou claro que a decisão é do diretório estadual'', garantiu Rossoni. Entretanto, o presidente do PSDB admite que o partido de Requião ofereceu a vaga de vice-governador e de senador para os tucanos em troca de apoio. ''Só garanto que não vai haver acordo branco. Quem quiser aliança vai ter que defender dentro da convenção e explicar por que'', amenizou o presidente do PSDB.
''Está quase juntando. Não sei se casa, mas o namoro está bem forte'', garantiu Dobrandino. E o discurso, e principalmente as atitudes do PMDB, são bastante claras. Oferecer a vice e a vaga ao Senado seria a primeira tática de sedução. Isso porque o PSDB tem dois candidatos declarados às vagas: o presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão e o atual senador Álvaro Dias. Já o PMDB não tem candidatos certos às vagas.
Deputados peemedebistas estão declarando abertamente que, caso Requião apoie o PSDB, tem que ser às claras. ''Aliança com o PSDB tem que ser por inteiro. Não pode ter um pé lá e outro no PT'', afirmou o deputado estadual Nereu Moura (PMDB). Dobrandino fez a mesma declaração. Essa garantia seria a segunda tática de sedução já que o PSDB declara que sua prioridade é eleger Alckmim. Nesse caso, Requião, que em 2002 foi eleito com forte apoio do atual presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), teria agora que pedir votos para Alckmim, sem subir em nenhum outro palanque além do tucano.
Dobrandino afirmou que iria reunir ontem os pré-candidatos do partido para discutir questões de campanha e também a unificação do partido em torno de um único apoio. Dobrandino explicou que vai conversar com a executiva do diretório do partido em Curitiba com o intuito de acabar com o Comitê para reeleição de Lula e Requião montado por eles. Mas o Comitê ganhou mais um aliado declarado ontem. O ex-presidente da Copel, Paulo Pimentel, participou de uma reunião com o governador ontem e se posicionou contra a aliança com os tucanos. ''Acho preferível que ele prestigie os companheiros e não dê a vice e o Senado para o PSDB'', afirmou Pimentel, que garantiu à Folha que não é pré-candidato a nada.

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