Curitiba – Em campanha pela presidência da Câmara, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) esteve ontem em Curitiba, onde foi recepcionado por correligionários e aliados. Dizendo-se "otimista", ele participou de reuniões com o governador Beto Richa (PSDB), seu adversário político, e com o prefeito da cidade, Gustavo Fruet (PDT). Depois, promoveu um jantar em um restaurante italiano. Os dois concorrentes do petista na disputa, Júlio Delgado (PSB) e Eduardo Cunha (PMDB), também estiveram no Paraná recentemente.
Segundo Chinaglia, o fato de Beto pertencer ao PSDB não causou qualquer desconforto, uma vez que a campanha eleitoral ficou para trás. "Eu tenho que dar uma demonstração da imparcialidade de um presidente da Câmara. Portanto, quando eu tenho oportunidade, visito o governador de cada Estado, bem como o prefeito de cada capital", afirmou.
Além de reforçar as conversas com membros do PT, do PCdoB e do Pros, cujas bancadas já haviam formalizado apoio à sua candidatura, o parlamentar aproveitou a visita para se aproximar de políticos do PSD, como Evandro Rogério Roman (PSD), e do PTN, caso de Christiane Yared (PTN). "O presidente tem que ter a capacidade de coordenar processos. Quero ouvir partidos de oposição, de apoio ao governo, e independentes. Muitas vezes o que se decide lá (no Congresso) pode ser que algum parlamentar não perceba, mas vai ter repercussão, inclusive nos gastos públicos em cada Estado e em cada município brasileiro."
Ao Palácio Iguaçu, ele chegou por volta de 17h40, acompanhado do presidente estadual do PT, Enio Verri, do ex-ministro dos Esportes Orlando Silva (PCdoB) e de membros eleitos e reeleitos da bancada paranaense na Casa, como Toninho Wandscheer (PT) e Aliel Machado (PCdoB). Dois dos principais membros do primeiro escalão de Beto, a vice-governadora Cida Borghetti (Pros) e o chefe da Casa Civil Eduardo Sciarra (PSD), cujas legendas integram a base aliada à presidente Dilma Rousseff (PT), também estiveram na reunião.
Questionado sobre o apoio formal do PSD, Chinaglia disse apenas que "a conversa vai bem". "Eu não posso antecipar a opinião da bancada do PSD porque cabe a ela fazê-lo. Porém, já conversei com o futuro líder, o (Rogério) Rosso, com o ex-prefeito (de São Paulo) e agora ministro (das Cidades, Gilberto) Kassab, e com aquele que a partir de agora vai presidir o PSD, Guilherme Campos".

PRIORIDADES

O petista voltou a defender uma "agenda nacional" para a Câmara, sobretudo em questões como reforma tributária, reforma política, segurança pública e violência no trânsito. Entre as medidas que pretende implementar, caso eleito, está a criação de uma comissão para acompanhar a realização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. "O Brasil fez uma bela Copa do Mundo, extracampo falando. Entretanto, ficou uma nuvem, uma dúvida: o dinheiro foi bem aplicado? Não foi bem aplicado?", questionou. "Quero colocar pessoas da oposição com papel preponderante."
Ele também não quis comentar as propostas de Cunha, favorito na disputa e historicamente ligado às bancadas evangélica e ruralista. "Não tenho a candidatura dele como uma referência para mim. Quando digo que a Câmara precisa se aproximar de pautas que dizem respeito à vida de todos nós, não defendo que o presidente tenha esse poder imperial de dizer ‘isso sim; aquilo não’."

"Quando eu tenho oportunidade, visito o governador de cada Estado, bem como o prefeito de cada capital"
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