Arquivo FolhaJosé Eduardo: a maioria do partido apóia a candidatura própriaA emenda da reeleição, que deu ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e aos governadores de estado o direito de concorrer novamente em 1998, antecipou discussões partidárias, mas não ajudou a clarear candidaturas nem alianças. O quadro sucessório no Paraná está longe de uma definição. E como em outras eleições, as decisões finais devem desembocar somente no início de junho, período pré-convenções.
O governador Jaime Lerner tem uma única garantia por enquanto: é o candidato natural ao Palácio Iguaçu pelo seu partido, o PFL. Os meses passaram desde a aprovação da emenda - em junho do ano passado - e o governador não conseguiu fechar ainda uma aliança consistente que lhe ofereça suporte eleitoral. Pelo contrário, deu margem para que as cúpulas do PPB e PTB deixassem de ser aliadas, adotando novo tom na condução das costuras.
Na contramão da tendência nacional, o PSB do governador de Pernambuco, Miguel Arraes, é a única sigla que já declarou que vai coligar com o PFL de Lerner. A costura da aliança do governador não tem perspectiva de evoluir, por falta de ação política. Acuado com as pressões dos aliados, na briga por espaços, Lerner disse na semana que não quer ser mais ‘‘usado’’ e que vai acompanhar à distância as discussões.
A obstinação do senador Roberto Requião (PMDB) em ser o candidato ao governo em 98 - sem dar margem para negociação da cabeça de chapa - atrapalha a aproximação ensaiada com o PSDB do ex-governador Álvaro Dias. Para Requião, que hoje percorre o noroeste, é inconcebível o PMDB abrir mão da candidatura ao governo, da mesma forma que o fez em 94, quando emprestou apoio ao grupo que hoje responde pelo PSDB.
Para Álvaro, a imposição de Requião não vale. Razão pela qual o PSDB hoje está mais próximo do PPB, que, só pró-forma, apresenta o deputado federal Ricardo Barros como opção de candidatura própria. Álvaro insiste na tese de que a definição do nome do candidato que vai concorrer com Lerner, em nome das oposições, depende de pesquisa de opinião. Ele embarca nesta semana aos Estados Unidos, onde fica até o final de abril, e aproveita o período para fazer reflexões, já que não conseguiu ainda afastar a dúvida se vai manter-se pré-candidato ao governo ou se arrisca o Senado.
A nebulosidade do quadro eleitoral abriu espaço ainda para o lançamento da pré-candidatura do presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Vieira. A decisão oficializada há 10 dias representa empecilho para o grupo de Lerner que sempre apostou na adesão automática e incondicional do PTB. Se não acertar com o PSDB e PTB, ou ainda com o PFL, o que pode consolidar uma aliança, o senador pode concorrer por conta própria. Ele garante ter o apoio da maioria do partido para o projeto eleitoral.
A invalidação das prévias do PT também fez das esquerdas parte da ‘geléia geral’. Sem candidato definido, o partido vive nova crise. Inconformados com a falta de quórum, o deputado federal Nedson Micheleti, e a socióloga Milena Martines mantêm seus nomes como opção, enfrentando a orientação das cúpulas estadual e nacional que querem acerto antecipado com Requião. A possibilidade do PMDB aliar-se ao PSDB, PTB e PPB é o temor das esquerdas, que diante deste quadro teriam de buscar caminho alternativo.

mockup