No Paraná, a maioria é pela candidatura própria
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quinta-feira, 05 de março de 1998
Leandro Donatti 
O ex-governador Mário Pereira não é o único peemedebista do Paraná que apóia a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Pelo menos três convencionais com direito a voto no encontro nacional extraordinário do PMDB, neste domingo, se posicionam da mesma forma, assumem que são governistas e não vêem com bons olhos as intenções do senador Roberto Requião de ser o candidato próprio em 98: o deputado federal Djalma de Almeida Cesar, o ex-secretário da Administração de Ponta Grossa Reinaldo de Almeida Cesar e o prefeito de Francisco Beltrão, Guiomar Jesus Lopes.
Djalma de Almeida Cesar alega que não apóia a tese porque Requião não seria candidato a presidente e sim ao governo do Estado. Reinaldo de Almeida Cesar, mais que alinhado ao governo federal, tem divergências pessoais com o senador. Já foi seu chefe de gabinete e em 94 coordenou comitê pró-Orestes Quércia no Paraná, durante as prévias presidenciais. Guiomar Lopes foi o primeiro prefeito do PMDB a anunciar apoio à reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). É adversário de Requião desde 94 e ontem dava entrevistas às rádios de Francisco Beltrão, no Sudoeste, defendendo a estabilidade econômica e a reeleição de Fernando Henrique.
Paulo de Tarso Oliveira Abbas é o único dos 24 delegados - ao todo são 29 votos - que ainda se coloca como indeciso. Detentor de cargo em comissão na Telepar comandada pelo principal cabo eleitoral de Fernando Henrique no Paraná, o ex-governador Álvaro Dias, em Curitiba, o peemedebista faz mistério de qual será a sua opção durante o encontro que definirá os rumos do PMDB. Nenhum dos dois lados veio me procurar. Se eu tivesse feito a minha opção, não revelaria, observa.
Outro peemedebista que pode surpreender o grupo majoritário do Paraná que defende lançamento de candidatura própria é o deputado federal Moacir Micheletto. Ele estaria sofrendo pressões dos setores das cooperativas para defender a reeleição do presidente e uma composição política com o PSDB. A sua assessoria em Assis Chateaubriand, no Oeste, informava ontem que a última manifestação do deputado dava conta que o mesmo está trabalhando para a independência do PMDB nestas eleições.
Para Djalma de Almeida Cesar, a sua decisão não pode ser encarada como traição. Fiz campanha para o Quércia em 94 e para o Ulysses (Guimarães) em 89. Se eu percebesse que a real vontade do Requião é concorrer à presidência, eu o apoiaria, declarou o deputado. Segundo ele, o senador já manifestou no interior sua preferência para o Palácio Iguaçu. O deputado não vê ainda seriedade nas intenções do ex-presidente Itamar Franco. Só se ele for candidato a presidente nos Estados Unidos, ironiza.
O deputado diz que convenceu seu filho Reinaldo a também votar pela coligação com o PSDB na última hora. Ele pensou melhor e está conosco, garante. Para o deputado, o PMDB precisa de um candidato à presidência forte que puxe votos e eleja o maior número de deputados. Estou cansado de ver meu partido em campanhas desastrosas. Acho que o momento é de apoiarmos o presidente, que pode até deixar de vir ao Paraná durante a campanha, assinala.


