Cento e vinte e cinco milhões, novecentos e treze mil, quatrocentos e setenta e nove eleitores deverão ir às urnas hoje em todo país. Em disputa, a presidência da República, 27 vagas de governador, 27 de senador, 513 na Câmara dos Deputados, e 1.059 nas assembléias legislativas. Ao todo, mais de 19 mil candidatos concorrem as 1.627 vagas.
No Paraná, os 7.121.257 eleitores aptos a votar, terão como opção 840 candidatos. Onze disputam o Palácio Iguaçu, dez a vaga para o Senado, 265 uma das 30 cadeiras na Câmara dos Deputados, e 526, as 54 vagas de deputado estadual.
Para dar andamento ao processo eleitoral, foram convocados quase 90 mil mesários em todo o Estado. Os mesários são classificados através de um sistema de informática que faz uma triagem dos eleitores entre 18 e 45 anos com o ensino médio completo. Mesmo que não convocado, um eleitor pode ter que trabalhar no dia das eleições. Se algum mesário faltar, qualquer eleitor que comparecer para a votação poderá ser convocado.
Os números divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mostram que a Justiça Eleitoral enfrentou dificuldades para compor as seções eleitorais com presidente, primeiro e segundo mesário, e primeiro e segundo secretário. Mais de 7,3 mil - 8,1% - dos convocados tiveram que ser substituídos. ''Voltou bastante carta, muitos endereços estavam errados ou as pessoas se mudaram'', relatou o chefe de cartório da 157 Zona Eleitoral, Élio Batista da Silva. Nesta zona eleitoral, foram feitas cerca de 300 substituições, 30% dos convocados. Segundo Silva, algumas pessoas deram justificativas curiosas para fugir da convocação. ''Uma delas disse que não estava bem e que no dia da eleição iria ficar pior ainda'', contou. Conforme o chefe de cartório, a dificuldade em encontrar mesários está aumentando ''por causa da política do país''.
O diagnóstico do chefe de cartório encontra eco na avaliação do aposentado José da Silva Peixoto. ''O povo brasileiro está desacreditado com a política. A cada eleição é uma promessa não cumprida'', disse. Aos 73 anos, esta será a terceira vez que Peixoto irá trabalhar nas eleições. Este ano, ele se apresentou como voluntário ao ver uma campanha realizada pela Justiça Eleitoral em Maringá. Através da imprensa, os eleitores foram convidados a participar do processo. Resultado: mais de 600 pessoas - quase 19% dos 3.180 mesários da cidade - se ofereceram para trabalhar nas eleições. ''Estávamos com dificuldades. Comecei a chamar através da imprensa de Maringá e deu certo. Ficamos impressionados'', comemorou o supervisor do Fórum Eleitoral de Maringá, Nilson Rodrigues Carvalho.
A diretora da Escola Municipal Professora Bárbara Falcoviski Vieira, Amélia do Nascimento Magrinelli, 58 anos, também é exemplo de cidadania. Há 12 anos, ela trabalha como presidente de seção 116, em Londrina. Ela ajudou a instalar a seção, em 1994, no Jardim União da Vitória, uma das regiões mais carentes da cidade. ''Era uma dificuldade imensa. Os votos ainda eram em cédulas e as pessoas levavam de oito a dez minutos para votar'', lembra. ''Estamos mostrando para alunos o valor, o quanto é importante a cidadadia, o quanto podemos contribuir com a cidadania'', disse.
Os mesários convocados ou voluntários não são remunerados pelo trabalho, mas a Justiça Eleitoral fornece a cada um declarações que garantem que cada dia trabalhado na eleição, representa o dobro em folga.

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