Depois de praticamente cinco meses de campanha, 6.504.491 eleitores paranaenses vão às urnas hoje. Além de exercer o direito à cidadania, os eleitores definem hoje quais serão os políticos que irão administrar os 399 municípios do Paraná durante os próximos quatro anos.
Pela primeira vez desde que a votação informatizada foi implantada no Brasil, há quatro anos, todos os eleitores do Estado (5,9% dos eleitores do País) vão poder votar nas urnas eletrônicas. Mas essa não é a única novidade da eleição municipal. Os eleitores também poderão reconduzir ao cargo os 285 prefeitos do Estado que decidiram tentar a reeleição. Para 28 deles, porém, a tarefa será mais fácil, já que são os únicos candidatos em seus municípios.
No Paraná, são 1.003 candidatos a prefeito, 1.003 a vice, além de 24.476 candidatos para as 4.018 vagas das Câmaras de Vereadores. Com todo o sistema de votação e apuração informatizados, a expectativa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) é que já hoje à noite possam ser divulgados os resultados totais da maioria dos municípios.
Em Curitiba, o maior colégio eleitoral do Estado – com 1.110.189 eleitores – por exemplo, estima-se que a totalização dos votos possa estar finalizada antes da meia-noite. Assim como em Londrina, o segundo maior reduto de eleitores do Estado, com 299.310 eleitores. Direta ou indiretamente, quase 150 mil pessoas vão estar trabalhando nas eleições municipais desse domingo. O número pessoas convocadas para trabalhar como mesárias ultrapassa 128 mil.
Para garantir a segurança durante o pleito, quase 18 mil policiais militares e aproximadamente 3 mil policiais civis estarão de plantão. Em Curitiba, o auditório da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) vai funcionar como um centro de triagem e apoio à operação das polícias. Em Londrina, um esquema de segurança semelhante foi montado no Ginásio de Esportes Moringão.
As pessoas detidas por infringir a lei e fazer propaganda de boca-de-urna terão seus casos analisados pelos juízes eleitorais nesse local. Durante todo o domingo, conforme determina a lei eleitoral, constituem crimes usar alto-falantes, realizar comícios ou carreatas, quebra da ‘‘lei seca’’ e distribuir material de propaganda, inclusive volantes e outros impressos (santinhos).
A pena prevista para quem for condenado é a de detenção (de seis meses a um ano), com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor de 5 mil a 15 mil UFIRs. Até a meia-noite de hoje também está valendo a ‘‘lei seca’’, que proíbe qualquer tipo de comércio de bebidas alcoólicas, no atacado ou varejo.
As eleições de hoje também servirão como uma prévia para 2002. Analistas e políticos passaram os últimos meses tentando convencer o eleitorado de que a escolha feita hoje não terá influência nas próximas eleições para presidente, governador, deputados estaduais e federais.
O governador Jaime Lerner (PFL) restringiu sua participação na campanha apenas à Curitiba, seu principal reduto eleitoral. De olho não só em 2002, mas também em evitar polemizar com sua base de sustentação no interior do Estado nos últimos dois anos de sua gestão, Lerner praticamente enclausurou-se no Palácio Iguaçu, a sede do governo paranaense. E até o fim de seu mandato o governador pode ter que passar a administar uma forte oposição, tanto em algumas das principais cidades – como Cascavel e Ponta Grossa, que podem, respectivamente, eleger prefeitos do PDT e PT – quanto na Assembléia Legislativa.
O senador Alvaro Dias (PSDB) aproveita esta eleição para pavimentar sua candidatura ao governo do Paraná em 2002. Ele participou de praticamente todos os programas eleitorais gratuitos no rádio e na televisão dos candidatos a prefeito em Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu. Os tucanos apostam na vitória em Londrina e Foz – cidades com enorme influência nas questões políticas e ecônomicas dos paranaenses – e no fortalecimento do ‘‘ninho’’ na Capital, que sempre foi muito frágil.
Dos caciques da política local, o senador Roberto Requião (PMDB) deve ser o que menos obterá pontos favoráveis nessa eleição. Ao deixar de candidatar-se a prefeito em Curitiba, tornou o PMDB um partido vulnerável. Na Capital, por exemplo, a campanha do irmão mais novo do senador não decolou. Em Londrina, o partido luta para levar a disputa ao 2º turno. O PMDB tende a sair dessa eleição municipal com a imagem desgastada e caminha para uma completa reformulação de seus quadros.
O PT, pelo contrário, pode a partir de hoje consolidar-se como o principal partido oposicionista no Estado. Com chances de participar do segundo turno na Capital e de vencer na conservadora Ponta Grossa, o PT tem grandes possibilidades de se tornar o fiel da balança nas próximas eleições. Com candidatos próprios, ou coligado aos outros partidos da oposição. Mas não mais como coadjuvante.

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