No Norte do Estado, é com preocupação que setores de produção que dependem das rodovias tanto para escoar mercadorias quanto para receber matérias-primas acompanham a possibilidade de o Paraná ganhar três novas concessões de pedágio, entre as sete que vão a leilão.
Para o Sindicato das Indústrias de Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí - que representa 450 indústrias da região -, por exemplo, novas praças significam aumento no preço dos fretes, do custo da produção, e, consequentemente, daquilo que é cobrado do consumidor final. ''É de preocupar tudo aquilo que aumenta os custos da produção, pois, se o frete fica mais caro, automaticamente todo o resto da cadeia produtiva sofre com isso'', avaliou o presidente da entidade, Elio Pinto. Segundo ele, nem as praças já existentes justificariam a cobrança da tarifa. ''Pelo que as concessionárias estão fazendo nesse período todo de concessão, a gente vê que elas, na verdade, só arrecadam. Nada de estradas mais conservadas, duplicação ou qualidade. Como a gente já paga para o governo IPVA e Cide justamente para manutenção das rodovias, essas praças não deveriam sequer existir.''
Para o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário (Sivepar), Marcos Kolowski, novas concessões só se justificariam ''se de fato contribuíssem para uma melhor logística de escoamento da produção''. Na opinião do empresário, o governo ''não tem condição de investir o que deveria nas rodovias''. ''Mas lá se vão 10 anos de privatização da conservação e manutenção delas e o que a gente vê? Uma grande 'maquiagem'. Privatizar é fácil, mas dessa forma que está sendo feita, só nos aumenta os custos e, claro, aumenta para o consumidor'', destacou. Com sede em Londrina, o Sivepar representa 432 indústrias só na região Norte. ''E 100% delas dependem da vinda de matéria-prima pelas rodovias, e 100%, para a venda. Quanto mais praça, mais gente vai paga por isso, de algum jeito'', completou.
À primeira vista defensor da privatização nas rodovias, o presidente da agência de desenvolvimento regional Terra Roxa, Adrian Von Treuenfels - também cônsul honorário da República da Alemanha para o Norte do Paraná -, defende que novos contratos sejam ''mais transparentes à sociedade''.
''Não tenho nada contra os pedágios, mas desde que os contratos sejam feitos com transparência no sentido de se afirmar exatamente qual a receita e qual a despesa que essas empresas têm para manter a área de concessão'', declarou. ''Hoje falta a transparência do real custo-benefício dessas praças. Sabemos que elas têm receitas milionárias, mas não suas despesas.''
De acordo com Von Treuenfels, a qualidade das estradas e rodovias é diretamente proporcional ao interesse dos investidores que procuram o Norte do Estado. Portanto, diz, não é só o produtor ou o industrial já instalado na região que perde em caso de mais custos atrelado a um serviço de qualidade que não seja a ideal. ''Perde o desenvolvimento todo do Norte, pois, para o investidor, garantias como essa são fundamentais'', concluiu.

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