No Nordeste, dança de
cadeiras é mais intensa
No Nordeste, a migração entre partidos é ainda mais intensa e começou no início do ano. Em Alagoas, 15 dos 27 deputados estaduais eleitos em 1998 trocaram de partido. Em Sergipe, foram 13 dos 24 estaduais que fizeram o mesmo. - ‘‘O empenho dos governadores está sendo decisivo para aumentar esta migração’’, disse o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), usando como exemplo o Estado dele, onde o grupo político que apóia o governador Albano Franco (PSDB) procura reforçar legendas aliadas, como o PMDB e o PPS.
‘‘O PPS não elegeu nenhum vereador e hoje já é a maior bancada na Câmara de Aracaju’’, afirmou Dutra. O PPS conta com apenas quatro entre 21 vereadores. ‘‘O quadro partidário está tão pulverizado que partido que conta com dois vereadores é considerado grande’’,
afirmou o senador.
Em Pernambuco, o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) anuncia hoje a filiação de quatro deputados estaduais e 11 prefeitos no partido para contrabalançar o ingresso, na semana passada, do senador Carlos Wilson, de dois deputados estaduais e um prefeito no PPS. Até pequenas legendas, como PRTB, PSDC e PST estão recebendo adesões. Neste caso, as adesões vêm de vereadores com dificuldades para se reeleger em 2000.
‘‘O sistema proporcional de eleições incentiva candidatos a vereador a buscar partidos pequenos; eles evitam partidos com vereadores bons de voto porque temem reforçar a votação da coligação, ajudaram a eleger os principais candidatos da legenda e se tornaram apenas suplentes’’, disse o deputado Vilmar Rocha (PFL-GO), membro da Executiva Nacional do PFL, que, em Goiás, filiou dez prefeitos na última semana e pretende angariar três deputados estaduais na próxima. ‘‘O dia 25 é considerado o dia nacional de filiações do partido e haverá atos no Brasil inteiro’’, disse o parlamentar.
Como o quadro da disputa eleitoral de 2000 tende à pulverização, interessa também aos políticos locais se sentir livres das grandes estruturas para negociar o apoio. Em Maceió, por exemplo, a previsão é que haja pelo menos dez candidatos. No Rio e em São Paulo, oito. ‘‘No PMDB, eu não era protagonista do jogo político em minha região; agora, no PPS, posso até não ser candidato, mas serei ouvido’’, disse o deputado federal Edinho Araújo (SP), que tem em São José do Rio Preto, no interior do Estado, a base.
A troca de partidos também foi insuflada por políticos sem mandato que tentam o retorno: em Belo Horizonte, o ex-prefeito Sérgio Ferrara foi para o PL, em Goiânia; o ex-prefeito Darci Accorsi, que foi do PT e passou pelo PSB, agora está no PTB, e, em Manaus, o ex-prefeito Eduardo Braga (ex-PPB) concorrerá pelo PPS. (AE)

mockup