No limite de nossa irresponsabilidade
- Mendonça de Barros conversa com Jair Bilachi, presidente da Previ, para que se una ao Opportunity a fim de formar um consórcio e arrematar a Telemar:
- Estamos aqui eu, André, Pérsio e Pio (André Lara Resende, Pérsio Arida e Pio Borges), mas estamos muito preocupados com a montagem que o Ricardo Sérgio (diretor do Banco do Brasil) está fazendo do outro lado (refere-se ao consórcio de Jereissati). Porque está faltando dinheiro, doutor. E a gente está sabendo que uma das alternativas (do outro consórcio) é fundir as empresas com a holding. Aí, o negócio não fica limpo e a minha primeira preocupação, e o presidente já me ligou, é que a gente ponha em pé esse negócio. Senão, o que aparentemente for um p... sucesso pode ficar um negócio amargo.
áá- Ministro, estamos concentrando forças e a nossa proposta é bem diferente. Mas é justo na linha dos nossos negócios. Nós estamos cacifando aqui. Mas essa questão do outro negócio (do apoio do BB a Jereissati) acho que vocês deveriam conversar com o Ricardo Sérgio.
- Tudo bem, mas o importante para nós é que vocês montem com o Pérsio ..., e tudo que precisar nós ajudamos. Temos um probleminha agora que é a carta de fiança. E é chato chegar agora, no meio da tarde, e o Banco do Brasil dizer que não vai dar.
- Vou falar com ele (com Ricardo Sérgio)
- Sei que ele está falando com a Telefónica de Espa¤a, um negócio meio esquisito.
- Mendonça de Barros liga para Ricardo Sérgio para informar que o Opportunity iria participar do leilão, mas dependia de fiança:
- Está tudo acertado. Mas o Opportunity está com um problema de fiança. Não dá para o Banco do Brasil dar?
- Acabei de dar.
- Não é para a Embratel, é para a Telemar.
- Dei para a Embratel e 874 milhões para a Telemar. Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade. São três dias de fiança para ele.
- É isso aí, estamos juntos.
- Na hora que der m... (referindo-se ao elevado valor da fiança). Estamos juntos desde o início.
- Mendonça de Barros liga para Lara Resende para discutir uma forma de facilitar o caminho para o Opportunity comprar as 16 teles. A estratégia é informar o grupo de Jereissati que o ágio será pequeno e depois o Opportunity entraria com um ágio maior, previamente combinado com o BNDES:
- Discute primeiro um ágio mais baixo e na última hora...
- Na última hora, sobe. Falei com ele (refere-se a Pérsio). Concentra nisso. Esquece o outro.
- FHC liga para Mendonça de Barros, que estava no BNDES, para saber em que estágio estava o encaminhamento do leilão:
- Estamos aqui praticamente com o quadro fechado. Tem uma notícia ruim. A Bell South não vai entrar... A boa notícia é que a MCI vai entrar na Embratel... Entra com os espanhóis e com isso cria competição.
- Ótimo, ótimo, responde FHC.
- Nós estamos com um consórcio também para a Tele Norte Leste. É capaz de as fixas saírem em torno do preço mínimo. A Embratel vai ter competição, e vai ter competição grande nas celulares.
- Sei, sei. Mesmo a Telerj sai com preço mínimo?
- Sai, porque a Bell South é que seria a contraparte lá.
- Você acha que, no conjunto, vai dar o quê?
- Uns 16 bi, que é o que eu tinha dito. O nosso preço mínimo é de 13 bi e 400, e nós chegaremos a uns 16 bi, que é muito dinheiro.
- Ajuda, né, as reservas...
- Mais do que isso. A gente fica com uma empresa sólida. Tem aí um monte de loucura que nós bombardeamos (referindo-se à estratégia para escantear Jereissati). Não adianta criar competição e depois criar problema para a frente.
- Não, tem que ter coisa que funcione, que atenda a população.
- A imprensa está muito favorável, com editoriais.
- Está demais, né? Estão exagerando até.
- André Lara telefona para Mendonça de Barros:
- Falei com o Pérsio. Tudo certo.
- Falei com a Previ também.
- Os inimigos (grupo de Jereissati) estavam lá reunidos. Vão entrar.
- No dia do leilão, André Lara liga para Pérsio Arida:
- Não vou para a Bolsa porque quero falar com você antes. Se precisar vou ter que detonar a bomba atômica (refere-se ao presidente). Qualquer coisa você me fala no meu antigo celular.
- Tá legal. Eu tenho o número. (A.E.)





