Brasília - Culto, com uma erudição muito acima da média dos demais, capaz de repetir Shakeaspeare em inglês por horas seguidas, Roberto Brant pontilhou sua defesa com citações filosóficas. Recorreu ao franco-romeno Emil Cioram e, ao contrário de Cioram, conhecido como o filósofo do pessimismo contemporâneo, que via no suicídio uma saída para a angústia dos vivos, disse que deseja continuar vivendo. ''O grande pensador romeno Cioram dizia do pessimismo e da crueldade dos vencidos, daqueles que não perdoam a vida por ela lhes ter negado as suas expectativas e esperanças. Estou vencido, mas não quero me vingar da vida''.
Brant também citou o padre Antonio Vieira: ''Aceitar o pó, o qual nos tornaremos quando mortos, é fácil de compreender, porque isso é visível fisicamente aos nossos olhos. O que é difícil é aceitar e compreender o pó que já somos hoje. Lembre-se, homem, que tu és pó''. Roberto Brant terminou sua defesa citando outro filósofo contemporâneo. ''O grande André Malraux dizia, de maneira pungente, que os homens não conhecem as palavras com as quais podem expressar as suas dores mais profundas. É verdade. Por isso, eu passei quase todo esse tempo mais ou menos em silêncio. Agora, eu tenho de confessar: a amargura tocou a minha alma, com seus dedos frios, atravessou com pungência. E dentro de mim nasceu um deserto, com o qual eu vou viver para sempre''. (J.D. e D.M./AE)

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