No dia do Trabalhador, centrais sindicais se unem em ato pró-Lula em Curitiba
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terça-feira, 01 de maio de 2018
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 

Curitiba - Pela primeira vez após a redemocratização, as sete centrais sindicais se reuniram ontem, ao lado de artistas, estudantes e lideranças políticas de todo o País, num ato do Dia do Trabalhador. A mobilização ocorreu na Praça Santos Andrade, em Curitiba, e, segundo os organizadores, contou com a participação de mais de 40 mil pessoas. A Polícia Militar (PM), contudo, estimou o público em cinco mil. O foco principal dos presentes, reforçados por caravanas de diferentes Estados, foi a defesa da liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que desde 7 de abril segue preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), também na capital paranaense.
A programação incluiu shows de Beth Carvalho, Flávio Renegado e Ana Cañas. As apresentações foram intercaladas por discursos políticos. Bastante aplaudida ao subir ao palco, mesmo com dificuldade de locomoção, Beth entoou canções de compositores da Mangueira, sua escola de samba de coração. Ela também cantou, por duas vezes, a música "Lula Livre", de Claudinho Lima. O petista foi condenado a 12 anos e um mês de reclusão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex.
De acordo com o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, a data foi "histórica". "É um ato unificado em torno de três temas extremamente importantes: os direitos dos trabalhadores, com o fim da reforma previdenciária, a denúncia da escalada do fascismo e a defesa das eleições, para que tenhamos a possibilidade de um dirigente ser eleito pelo povo, senão não há credibilidade. Por isso a defesa de Lula livre. As centrais todas sabem que ele é um preso político. A liberdade do Lula é importante para a retomada da democracia", opinou.
Para o pré-candidato do PSOL à Presidência da República, Guilherme Boulos, o evento teve como objetivo mostrar a unidade democrática. "É um dia de luta e resistência dos trabalhadores no mundo todo, historicamente. Mas hoje no Brasil tem um componente também de defesa da democracia. Vivemos uma crise democrática profunda, uma escalada de violência política. A morte da Marielle [Franco, vereadora do PSOL] até agora não foi esclarecida, os tiros contra o acampamento em defesa do Lula e a própria prisão do [ex-presidente] Lula de maneira injusta e arbitrária, sem qualquer prova, tudo isso forma um cenário difícil para a democracia brasileira", comentou.
O secretário-geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Zenir Teixeira, foi na mesma linha. "A gente entende que esse momento político que o Brasil está vivendo, e particularmente esse estado de exceção implantado no País, requer a unificação. Para nós é simbólico que o Primeiro e Maio seja realizado na capital do Paraná. Nós entendemos também que a luta pela liberdade do Lula hoje ganhou uma simbologia muito grande e inspira a luta pela democracia na América Latina e talvez no mundo. Hoje o Lula encarna essa luta pelas liberdades, contra todas as formas de repressão que estamos vivendo".

Partidos
Além da CUT e da CTB, estiveram no ato membros da NSCT, da UGT, da CSB e da Conlutas. Todos os representantes de partidos políticos de esquerda do Congresso Nacional também participaram. Conforme o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, esse foi o primeiro Dia do Trabalhador em 50 anos que não teve a presença de Lula. "Não é uma coisa qualquer. De certa maneira, cada um de nós está fazendo um esforço grande para fazer o que Lula pediu representar a voz dele (
) A luta pela liberdade do Lula se fortalece muito. Esperamos que seja um marco da mobilização, das ruas, para que a gente possa o mais rapidamente possível alcançar o nosso objetivo, que é ter o Lula em liberdade".
OCORRÊNCIAS
Segundo o coronel Péricles de Matos, comandante do 1º Comando Regional de Polícia Militar (CRPM), o clima durante todo o evento foi de tranquilidade. "Em negociação com o movimento, aplicamos um policiamento preventivo tanto no entorno da Delegacia da PF, como aqui [na Praça Santos Andrade]. Foi um policiamento garantidor da liberdade de expressão e da liberdade de pensamento. Estamos afastando os grupos rivais, fazendo interface entre as correntes divergentes de pensamento, e o movimento é tranquilo", contou.
Matos citou apenas uma ocorrência. "Até agora tivemos uma detenção feita pela Guarda Municipal, com um cidadão com posse de entorpecente. Tudo transcorreu bem para a população. Vimos famílias com crianças, num clima absoluto de calma", acrescentou. Após o atentado que deixou duas pessoas feridas no acampamento "Lula Livre", localizado nas proximidades da Superintendência da PF, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp) havia prometido reforçar o policiamento. O efetivo não foi informado.


