Simone Giroto/Folha de LondrinaKffuri e um burro protestam contra o ‘‘empacamento’’ da BoiadeiraA data não poderia ser mais propícia. Em pleno Dia das Bruxas, a Boca Maldita de Campo Mourão comemorou 10 anos de fundação. E comemorou do jeito que mais gosta: protestando de forma bem humorada. Foi por isso, por exemplo, que o calçadão da cidade amanheceu com dois burros de chapéu. Um simbolizava o descaso com a Estrada Boiadeira (BR-487), que espera asfalto há mais de 40 anos. O outro representava as reformas prometidas pelo governo federal.
‘‘A Boiadeira e as reformas estão paradas igual a um burro empacado’’, explica o empresário Sérgio Kffuri, um dos membros da ‘‘tríplice aliança’’ que administra a Boca. Ao lado dos burros, vários carros antigos ficaram em exposição para também ironizar a demora pela pavimentação da rodovia que liga o Mato Grosso do Sul ao Porto de Paranaguá. No carro mais velho, um Ford 1929, um cartaz avisava que ele está esperando o asfalto desde 1950.
A festa de aniversário da Boca Maldita começou logo pela manhã com uma rajada de fogos de artifício. Em seguida, teve hasteamento das bandeiras. A festividade também contou com a distribuição de 300 caixas de banana para quem passasse pelo calçadão, onde fica a sede da confraria. ‘‘A banana simboliza a maneira como o governo trata o povo’’, frisa Kffuri. As caixas foram transportadas por um velho caminhão GMC, que também aguarda a conclusão da Boiadeira.
No dia do aniversário, a Boca não deixou também de mostrar sua marca registrada: o corte do bolo comemorativo ao aniversário de reivindicação do asfalto da Estrada Boiadeira. Pelas contas dos confrades, são 47 anos de pedidos não atendidos. O bolo foi feito em forma de estrada abandonada. A comemoração estava prevista para terminar à noite, com um jantar durante o qual seria homenageado o jornalista Luiz Geraldo Mazza, da Folha.

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