Durante os três momentos em que apareceu em público ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso tentou demonstrar confiança na aprovação da emenda da reeleição. Fernando Henrique recebeu várias bancadas, ouviu reivindicações e fez promessas.
Em almoço com cerca de 30 empresários levantou um brinde à sorte do governo na votação e justificou seu empenho por um segundo mandato como uma forma de continuar as reformas constitucionais. Em cerimônia no Palácio do Planalto, Fernando Henrique ressaltou a importância da votação da emenda, argumentando que o Congresso necessita ‘‘desanuviar e encontrar mais energia e tempo para aprovar as reformas que o País precisa’’. Pela manhã, ao ser indagado pelos jornalistas se estava confiante, respondeu: ‘‘Eu sou sempre otimista’’. Logo depois completou: ‘‘Em relação ao Brasil; em relação a temas específicos, vamos ver.’’

‘‘Não vim aqui
pelos belos olhos de
FHC’’, diz Francisco
Rodrigues (PPB-RR)


Mesmo com a garantia dos líderes de que já teria 350 votos favoráveis à emenda, Fernando Henrique recebeu parlamentares e ouviu suas reivindicações. O deputado Francisco Rodrigues (PPB-RR) sintetizou o clima das visitas. ‘‘Não vim aqui pelos belos olhos do presidente; já que ele quer mais quatro anos, viemos colocar nossas reivindicações.’’ Acompanhado de outros três deputados, ele saiu do Planalto com a garantia de que a pavimentação da BR-174 e as obras da hidrelétrica de Guri serão aceleradas.
A bancada do Amazonas, segundo o deputado Euler Ribeiro (PFL), conseguiu ‘‘sinal verde’’ para a criação dos territórios do Alto Solimões e Rio Negro. ‘‘O sinal verde foi dado pelo presidente, mas isso já havia sido acertado há muito tempo’’, justificou. E a bancada do Espírito Santo foi convidada para um jantar nos próximos dias, para discutir as prioridades do Estado. Entre elas a construção de um porto para ‘‘contêineres’’. Mas a garantia de uma visita ao Estado foi dada ontem mesmo, segundo o senador José Inácio (PSDB).
Os manifestantes pró-reeleição estavam desde cedo no Palácio da Alvorada, com faixas e cartazes, esperando a saída do presidente. Na Esplanada dos Ministérios um caminhão de som pedia o apoio à tese. À tarde, entretanto, cerca de cem manifestantes foram à Praça dos Três Poderes protestar contra a aprovação da emenda. Munidos de bandeiras e faixas, a União Nacional dos Estudantes (UNE) juntou-se a grupos do PDT, PT, PC do B e do Movimento Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). ‘‘O presidente não queria ouvir a voz rouca das ruas?’’, ironizou o presidente da UNE, Orlando Silva.

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