No Congresso, Clinton terá de se submeter a exigências de ACM
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, terá de se submeter a pelo menos duas exigências do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), na visita que fará hoje ao Congresso: não haverá limite para o número de parlamentares que quiserem cumprimentá-lo e o trânsito será livre para veículos de senadores e deputados, mesmo na parte de baixo do prédio, conhecida por Chapelaria. Ainda por exigência de Antônio Carlos jornalistas terão acesso ao prédio do Congresso durante a passagem de Clinton.
O encontro do presidente norte-americano com senadores e deputados deverá durar cerca de 30 minutos e ocorrerá no Salão Nobre do Senado. A comitiva do presidente norte-americano entrará pela frente; os senadores e deputados poderão aproximar-se pelas portas internas do Salão Negro. Os corredores do Senado (conhecidos por Salão Azul) e da Câmara (Salão Verde) serão interditados durante o tempo da visita de Clinton.
Durante a reunião com o presidente dos Estados Unidos, tanto Antônio Carlos Magalhães quanto o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), pretendem reafirmar apoio ao Mercosul, o mercado comum entre o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, que Clinton tenta enfraquecer. A missão de Clinton visa, principalmente, à busca de adeptos da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Para mim a prioridade é o Mercosul, disse Michel Temer. Tenho críticas ao Mercosul, mas considero que é prioridade, disse Antônio Carlos. O Mercosul é um entrave para a Alca, porque limita certos acordos bilaterais.
Se tiver tempo, Michel Temer quer dizer ao presidente Bill Clinton que o Brasil hoje é um País em fase de mudanças. Estamos abrindo nosso País, modernizando nossa economia, fazendo reformas importantes, declarou. Não há mais nenhuma diferenciação entre a empresa nacional e a empresa estrangeira, afirmou Temer. Os Estados Unidos têm que saber disto.
Bill Clinton chegará ao Congresso às 14h30. O percurso de cerca de 50 metros será feito sem nenhum segurança ao lado. Clinton passará no meio dos soldados do Batalhão da Guarda Presidencial. Ao chegar ao Salão Negro, ele será recebido por Antônio Carlos Magalhães e por Michel Temer. Depois dos cumprimentos aos dois presidentes e a outros parlamentares, assinará o livro das autoridades, que pertence ao Senado. Em seguida, está programada a conversa com Antônio Carlos e Temer.
O funcionário do Senado que coordena a visita de Clinton chama-se John Kennedy, homenagem prestada pelos pais do servidor ao presidente norte-americano assassinado no início dos anos 60, em Dallas. Kennedy chefiará 80 seguranças do Senado, que devem auxiliar os funcionários norte-americanos encarregados da missão.


