Ciro Gomes bate em Fernando Henrique Cardoso, que afaga Tasso Jereissati, que não bate no amigo Ciro Gomes nem defende o aliado Fernando Henrique Cardoso. Essa é a receita do fracasso da candidatura do presidente a reeleição no Estado do Ceará, onde Fernando Henrique Cardoso amarga um tímido terceiro lugar na preferência do eleitorado. O fraco desempenho do candidato do PSDB preocupa a direção do partido no Estado e cria constrangimentos para o governador Tasso Jereissati (foto), um dos mais queridos do Palácio do Planalto.
Segundo a mais recente pesquisa de opinião divulgada em São Paulo, o presidente Fernando Henrique detém apenas 15% das intenções de voto dos cearenses no total, menos da metade dos 39% de preferência acumulados por Ciro Gomes, do PPS, e abaixo também de Luís Inácio Lula da Silva, o candidato do PT, que tem 28% das intenções de voto no Ceará. A performance de Fernando Henrique Cardoso não melhora sequer quando se analisa o comportamento do eleitor da capital, Fortaleza. Lá, o presidente é o lanterninha da disputa, com ínfimos 9% de preferência. Continua muito distante de seus principais opositores: Ciro Gomes mantém os 39% de intenção e Lula cresce um pouco, com 35% dos votos.
As dificuldades do presidente Fernando Henrique Cardoso no Ceará foram o mais importante tema de reunião da executiva estadual do PSDB na última terça-feira, no gabinete do governador Tasso Jereissati. O tucanato cearense permaneceu fechado no Palácio do Cambeba por mais de duas horas, definindo uma estratégia para permitir a virada do presidente nas urnas do Estado. ‘‘Nós defendemos um engajamento apaixonado em torno da candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso’’, afirmou o presidente estadual do PSDB, o ex-deputado federal Marco Penaforte.
Segundo Penaforte, daqui para diante o presidente Fernando Henrique será alçado à figura de ‘‘grande aliado’’ e as ações do seu governo serão melhor exploradas pelos candidatos do partido no Ceará, reparando os erros de comunicação do próprio Palácio do Planalto. No encontro de terça-feira, ficou decidido que o governador Tasso Jereissati será o principal instrumento de comunicação neste processo de ‘‘convencimento’’ do eleitor cearense.
‘‘O candidato exclusivo do PSDB é o Fernando Henrique’’, reiterou o ex-deputado. ‘‘As coligações são sempre benvindas, mas a prioridade é o presidente’’, completou. Foi um recado claro para o próprio PPS, aliado do PSDB na disputa pelo governo do Ceará, cujo candidato deverá ser mesmo Tasso Jereissati: o governador deverá abdicar de sua atual neutralidade para partir. o estado’’, acrescentou.
É exatamente o que vem sendo cobrado por tucanos e outros aliados da coligação, para quem a transferência de votos de Tasso para Fernando Henrique só se daria se o governador cearense partisse para o contraataque. ‘‘Agressões não farão parte da campanha’’, garantiu o presidente estadual do partido. O ex-deputado também defendeu o ‘‘estilo discreto’’ do governador cearense. ‘‘Essas críticas são sonhos de Brasília’’, ironizou Marco Penaforte. Para ele, unem o governador ao presidente ‘‘mais que amizade, uma crença ideológica’’.
O presidente estadual do PSDB minimizou a responsabilidade atribuída ao candidato do PPS na derrocada de Fernando Henrique Cardoso no estado. ‘‘A preferência por um filho da terra é natural, o Ciro tornou-se um fator diversionista no processo’’, disse Penaforte. Por isso mesmo, na avaliação dos tucanos cearenses, Ciro Gomes não merece represália dos aliados. ‘‘Bater não faz parte do estilo de política que estamos fazendo no estado’’, afirmou o presidente do partido, descartando uma resposta mais dura do PSDB às intervenções do ex-ministro cearense.
A defesa do silêncio diante dos ataques do candidato do PPS a Fernando Henrique, mais que uma preocupação com o nível da campanha, servirá para salvar Tasso Jereissati do constrangimento de fazer uma escolha entre dois amigos de longa data.

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