Curitiba - O deputado estadual Luiz Nishimori anunciou ontem que vai se licenciar temporariamente do PSDB. O parlamentar responde a um processo no Conselho de Ética tucano, que esta semana deu parecer favorável a sua expulsão do partido. Também ontem foi decidido que o deputado, aliado da base governista na Assembléia Legislativa, deixará a liderança da bancada do PSDB na Casa, dando lugar a Ademar Traiano.
O pedido de licença de Nishimori e a troca da liderança podem ser o primeiro passo para que se chegue a uma solução na divisão da bancada tucana na Assembléia. Mesmo com a executiva estadual do PSDB tendo determinado, no início do ano, que o partido faria oposição ao governador Roberto Requião (PMDB), Nishimori e outros três deputados continuaram alinhados à bancada governista. Atitude que custou a abertura de processo de expulsão contra o até então líder da bancada tucana.
Ontem, ao anunciar que está se licenciando de sua filiação ao PSDB, Nishimori deu a entender que pretende mudar de partido. ''Vou conversar com minhas bases para decidir o que fazer'', disse o deputado, que admite ter recebido convites de outras legendas, incluindo o PMDB. Atitude que não teria sido tomada até agora pelo fato de o deputado esperar alguma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão da fidelidade partidária. Algumas ações judiciais, baseadas em parecer recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), defendem que os cargos pertencem aos partidos e não aos candidatos eleitos, e pedem a perda de mandatos de parlamentares.
Traiano - oposição a Requião -, que assume a liderança da bancada do PSDB, terá como missão unir a bancada, agora composta por seis deputados. Destes, três são de oposição e outros três costumam votar com o governo. ''Vamos nos reunir semanalmente para decidir qual será a posição da bancada em relação à pauta de votações, de maneira que possam ser atendidos os interesses dos partido e dos deputados'', disse Traiano.
Já para o deputado Valdir Rossoni, presidente estadual do PSDB e líder da oposição na Assembléia, o pedido de Nishimori representa um ''ponto de entendimento'' entre as diferentes correntes da bancada. ''Estávamos procurando uma saída menos dolorida e ela pode vir com essa licença'', disse. Apesar disso, Rossoni afirmou que o afastamento temporário de Nishimori não interrompe o processo instaurado pelo Conselho de Ética. Tanto que está marcada para o dia 9 de julho a reunião do diretório estadual tucano para decidir pela expulsão ou não do deputado. Expulsão que só deve ser evitada se Nishimori decidir deixar o partido definitivamente antes da reunião.

mockup