Boa Vista (RR) - Um dia após os panelaços contra seu governo, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que aguenta todo tipo de pressão e ameaças e que honrará os votos que recebeu. "A primeira característica de quem honra o voto é que ele é a fonte da minha legitimidade, e ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu", afirmou a presidente em Boa Vista (RR), onde participou da entrega de 747 moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. Foi a primeira vez que Dilma visitou a capital de Roraima após assumir a Presidência.
A petista disse ainda que irá se dedicar "dia e noite" para garantir a estabilidade do país e cobrou que ela seja respeitada entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Ela reconheceu que o país passa por turbulências também na área econômica, mas disse que o país tem condições de superar as adversidades.
A ida a Boa Vista faz parte de um plano do governo para tentar reverter a queda na popularidade da presidente. De acordo com pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, o governo da petista tem 71% de reprovação entre os entrevistados. O resultado é o pior da série histórica do instituto, iniciada em 1990, e acima do recorde até então, que pertencia ao ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-92), às vésperas de sofrer um impeachment em 1992. Os índices ocorrem no momento em que o país registra uma crise financeira e a presidente enfrenta dificuldades políticas no Congresso.

LULA E A CRISE
Em São Paulo, dois dos mais próximos ministros da presidente se reuniram ontem com o ex-presidente Lula para discutir saídas para a crise que acomete o país. Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social) fizeram uma reunião no Instituto Lula e falaram sobre as possíveis soluções para o caos político. Estavam presentes ainda no ato em solidariedade ao instituto o ministro Jaques Wagner (Defesa), o presidente do PT, Rui Falcão, e outras lideranças, como também militantes do MTST, da CUT e dos partidos PT, PDT e PCdoB. Defendido por petistas para ocupar o lugar de Mercadante na Casa Civil, Jaques Wagner não participou da reunião com o ex-presidente e os colegas de Esplanada. Na quinta-feira, três ministros ouvidos pela reportagem defenderam que a petista faça uma declaração pública reconhecendo erros cometidos durante sua gestão. O pedido foi feito durante reunião de emergência convocada por ela com ministros do PT. O diagnóstico é que, se nada for feito antes dos protestos do próximo dia 16, há risco de a situação tornar-se irreversível. Não há, no entanto, consenso sobre o que fazer. Uma das alternativas citadas foi a de diminuir o tamanho da Esplanada. Mas reduzir cargos também significa diminuir o poder de barganha que o governo tem para negociar com os partidos políticos apoio no Congresso. Segundo relatos de quem participou do encontro, ministros não falaram abertamente sobre o risco de um pedido de impeachment, mas, nos bastidores, nenhum deles descarta o cenário.

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