O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem em Berlim que ‘‘ninguém recomenda nada ao presidente’’. Ele reagiu às declarações do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), exigindo uma reforma ministerial para punir os ministros políticos que participaram ativamente da campanha eleitoral. Ao desembarcar na capital alemã, FHC comentou a provocação do senador: ‘‘É a opinião de pessoas que se crêem muito poderosas.’’
Em Brasília, ACM considerou ‘‘arrogante e autoritária’’ a declaração e disse que esse tipo de posição não está à altura nem do passado de Fernando Henrique. ‘‘O poder às vezes inebria as pessoas e as pessoas pensam que podem tudo’’, disse, acrescentando que o papa João XXIII já dizia que ninguém pode tudo. ‘‘O presidente deveria aceitar as recomendações de todo o povo brasileiro, principalmente aquelas recomendações das urnas.’’
O senador disse que a falta de humildade do presidente é patente, sobretudo quando ele se nega a analisar o crescimento da oposição nas eleições. ‘‘Não ter humildade para receber o recado das urnas é a falência da democracia’’, avaliou. ‘‘É preciso lembrar que o povo se manifesta no voto.’’
Nas últimas semanas, ACM já partira para o ataque por causa do uso de uma mensagem gravada por FHC ao líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), na disputa por uma prefeitura. Semana passada, ACM prometeu revidar o que considerou favorecimento a seus adversários – ele controla a maior parte dos redutos políticos na Bahia –, mas o Palácio do Planalto silenciou.