Brasília - O secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse ontem que o governo vai contratar peritos para comparar o resultado do Inquérito Policial Militar (IPM) e as imagens exibidas pelo programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão. O objetivo é verificar se o inquérito sobre a descoberta de documentos da ditadura militar queimados na Base Aérea de Salvador, na Bahia, ficou comprometido. Segundo reportagem exibida domingo à noite pelo programa, o local na Base Aérea de Salvador, onde foram encontrados os documentos, pode ter sofrido alterações que teriam comprometido o IPM. A reportagem do Fantástico comparou imagens do local e denunciou que objetos foram colocados posteriormente no chão onde os papéis foram achados.
O Fantástico exibiu uma imagem gravada em dezembro e fotos recentes do laudo da Polícia Federal (PF). De acordo com a PF, objetos intactos no local provam que os arquivos não foram queimados na área em que estavam. Objetos, como um galão de plástico, não aparecem nas imagens de dezembro feitas pelo Fantástico.
Segundo Nilmário Miranda, o governo requereu cópias do IPM, que está sendo mantido sob sigilo, e da reportagem do Fantástico. Nilmário disse que os peritos contratados pelo governo vão ''confrontar'' os dois materiais a fim de checar a verdade.
A respeito da meta do governo de abrir à sociedade os arquivos da ditadura militar, o secretário informou que no próximo dia 7 o governo vai criar no Rio de Janeiro um grupo de trabalho do Centro de Referência de Acesso à Memória que terá 60 dias para levantar e identificar os arquivos e documentos que existem relativos ao período militar.

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