Nicolau usou empresa nas Ilhas Cayman
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2001
Fausto Macedo Agência Estado De São Paulo 
A força-tarefa que rastreia o destino de R$ 196,7 milhões desviados das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo identificou uma nova empresa Cortina Finance Ltd. envolvida na remessa de recursos para a conta do juiz Nicolau dos Santos Neto nas Ilhas Cayman. Procuradores do Ministério Público Federal e técnicos da Advocacia-Geral da União suspeitam que a Cortina Finance faça parte da rede de off shores escritórios de fachada que lavam dinheiro de origem ilícita montada pelo ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em paraísos fiscais. As autoridades não afastam a possibilidade de a companhia ter sido constituída por cúmplices do magistrado.
Levantamento promovido pelo Banco Central revela que a Cortina fez um depósito no valor de US$ 500 mil na conta 1117 que Nicolau mantinha em Cayman em 22 de janeiro de 1997. A empresa foi constituída em Cayman e mantinha conta no MTB Banking Corp., de Nova York.
A remessa de US$ 500 mil passou pelo Chemical Bk., também de Nova York, antes de seguir para a agência do Banco Noroeste nas Ilhas Cayman. Nicolau movimentou US$ 5,9 milhões nessa conta. Em março de 1998, o juiz transferiu quase a totalidade do saldo US$ 4,74 milhões para a empresa Ontário, localizada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Os ativos foram remetidos, depois, para a conta da Ontário no Sun Trust, antigo Sun Bank de Miami. Outros US$ 120 mil foram enviados para uma conta da Chaplin Inc., nas Bahamas. A Chaplin fez transferências para a Ontário para quitação de despesas diversas. Extratos bancários da Chaplin revelam, por exemplo, o pagamento de US$ 50 mil referentes a gastos com cartão American Express, em 30 de março de 1998. Os procuradores federais e agentes do Ministério da Justiça estão convencidos de que Nicolau decidiu limpar a conta 1117 depois que passou a ser investigado por irregularidades na construção do fórum trabalhista da capital paulista.
A descoberta da Cortina empolgou os integrantes da força-tarefa, que estão concentrando a investigação no Chemical Bk. Dessa instituição financeira saíram sete transferências, no valor total de US$ 2,7 milhões, para outra conta de Nicolau a Nissan, no Santander de Genebra, na Suíça, na qual foram movimentados US$ 6,8 milhões entre 1991 e 1994.
Ontem o advogado de Nicolau, Alberto Zacharias Toron, entrou, com um pedido de habeas-corpus no Tribunal Regional Federal (TRF) para revogar a nova prisão preventiva decretada contra seu cliente, pelo crime de sonegação fiscal.
O juiz terá de comparecer por três dias consecutivos - 22, 23 e 24 - ao Fórum Criminal da Justiça Federal para acompanhar audiências de depoimento de testemunhas de defesa dos empreiteiros Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Teixeira Ferraz, que construíram as obras superfaturadas do TRT.


