O vice-presidente da CPI do Judiciário, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), disse ontem que o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo Nicolau dos Santos Neto possui dez cotas da empresa Hillside, instalada nas Bahamas, conforme consta da declaração de Imposto de Renda dele. Até agora, Nicolau nega possuir alguma relação com a Hillside, embora a maior parte dos bens que ele possui no exterior, como a cobertura de US$ 1 milhão em Miami, tenha sido adquirido pela Hillside.
Para o presidente do CPI, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), o depoimento hoje de Nicolau, principal acusado pelo desvio dos recursos destinados à construção do fórum de São Paulo, ‘‘será altamente esclarecedor’’. ‘‘Se ele não vier, vamos cumprir a lei’’, ameaçou Tebet, ao dizer que não aceitará um novo pedido de adiamento da convocação, como o que ocorreu na quinta-feira. Pelo poder de polícia concedido às CPIs, ‘‘cumprir a lei’’ é trazer o depoente à força. Ou seja, escoltado pela polícia.
Tebet foi informado que Nicolau deve atribuir o patrimônio que possui a recursos recebidos da família. Porém, seu ex-genro, Marco Aurélio Gil de Oliveira, revelou à CPI que ele veio de uma família pobre e que a sua mãe, no final da vida, vivia numa situação de penúria. Nicolau também teria se recusado a pagar a mensalidade do sanatório onde sua sogra estava internada, ainda de acordo com o ex-genro.
O atual presidente do TRT-SP, Floriano Vaz da Silva, informou ontem à CPI que entre os amigos que Nicolau possui nos três poderes da República está o senador Romeu Tuma (PFL-SP). ‘‘É pública e notória a amizade entre eles’’, alegou. Consultado antes desse depoimento sobre a relação com o juiz, Romeu Tuma garantiu que tudo não passou de uma ligação profissional, quando ocupava o comando da Polícia Federal. Segundo ele, Nicolau lhe telefonava quando havia ameaça de conflitos trabalhistas.
A inoperância do TCU na construção do fórum trabalhista de São Paulo, uma obra inacabada que consumiu dos cofres públicos R$ 263,9 milhões, foi ontem evidenciada no depoimento de Floriano. O descaso do TCU com relação às irregularidades - apontadas por seus próprios auditores no início da obra - foi tão grande, que a comissão decidiu convocar para depor o presidente do órgão, ministro Adhemar Ghisi. A data do depoimento, proposto pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM), ainda será marcada. ‘‘A atuação do TCU nesse episódio tem me intrigado muito’’, justificou Péres. ‘‘O tribunal poderia ter evitado um enorme prejuízo à Nação.’’
O juiz Floriano informou que o TCU ficou vários anos sem se manifestar sobre o caso. Até que em 1996, o tribunal deu um parecer mandando continuar a obra ‘‘tendo em vista o seu estado avançado’’. Segundo ele, a paralisação da obra só ocorreu em maio de 1997, por efeito da inquérito civil público instaurado pelo deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), que depôs na CPI na quinta-feira. A pedido de presidente do TRT, a CPI vai providenciar a visita à obra de técnicos da engenharia do Senado e do TCU para avaliar as condições. Floriano Vaz da Silva disse aos senadores que há risco de o prejuízo se tornar maior, se a obra desabar.Ed Ferreira/Agência EstadoPresidente da TRT-SP, Floriano Vaz: ‘‘Nicolau tem amigos nos 3 poderes’’Rosa Costa
Agência Estado

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